terça-feira, 23 de dezembro de 2008

PER

Visto que estarei ausente do país entre o Natal e a passagem do ano, esta será a minha última mensagem de 2008. Quero por isso que tenha conteúdo, que seja reveladora de uma forma diferente de estar investido nos mercados de capitais. Diferente daquela que se vê cada vez mais por aí e que procura o lucro fácil, se possível para ontem e que leva a atitudes como a de Bernie Madoff (ver "MADOFF").

Conforme prometido na semana passada, vou descrever o mui conhecido e badalado PER (Price Earnings Ratio), que se obtém dividindo o preço de determinado título pelo seu último EPS anual (Earnings Per Share/Ganho Por Acção). Vou também explicar porque, nalguns casos, o PER vale muito pouco na hora de fazer uma avaliação rigorosa sobre o preço justo de uma acção.

A título de exemplo, vamos considerar o EPS diluído (*) da Google em 2007: 13.29 USD. Com este EPS, o PER da Google seria aproximadamente 23 (300/13.29). No entanto, o EPS de 2007 é passado e o que deve realmente interessar ao investidor é o futuro. Como já estamos no final de 2008, é relativamente fácil prever o EPS de 2008: nos primeiros 9 meses deste ano, a Google conseguiu um acumulado de 12.1 USD e tudo indica que conseguirá em 2008 um EPS entre os 15 e 17 USD. Logo, o seu PER para 2008 andará perto dos 19 (300/16). Mas, mais uma vez, 2008 é passado. O que realmente interessaria saber seria o EPS para 2009 mas isso implicaria saber o EPS para o próximo ano. Concluíndo, o PER de pouco serve ao investidor porque é uma medida do passado e não do futuro...

(*) - O EPS diluído (diluted em Inglês) reflecte a variação do n.º total de acções de determinada empresa nos EPS dos anos anteriores e está normalmente logo abaixo do EPS básico nos relatórios anuais das empresas.

Votos de um Bom Natal e um Excelente 2009,

Dax Speculator

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

899

Se o S&P 500 fechar hoje acima dos 899, forte resistência semanal, a situação técnica de médio prazo ficará muito bullish e a probabilidade de termos fortes valorizações nas próximas semanas será elevada. A confirmar-se este cenário, não aconselho ninguém a ficar curto/vendido. Eis o gráfico semanal:



A situação acima é clara: acima dos 899, temos de voltar a 2004 para encontrar uma resistência digna desse nome. Por isso, a quebra desta resistência prevê-se explosiva...

Na próxima semana irei procurar explicar porque o PER como é normalmente calculado pode ser um indicador muito enganador.

Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

MADOFF

Enquanto que vão crescendo as perdas reconhecidas no caso Madoff em Portugal e no estrangeiro, vou fazer um breve comentário acerca desta burla.

Este é um caso em que a supervisão foi, para não variar, cega. Quanto às ditas auditorias, prefiro nem falar pois, para mim, estas valem muito pouco. Coitados dos accionistas que esperam ver os seus direitos salvaguardados por auditores...

A estratégia usada por Madoff é conhecida por "split strike conversions" e consiste em comprar as acções com maiores dividendos e, simultaneamente, vender os puts mais baratos destas acções (mais out-of-money) e os calls mais caros (mais in-the-money). Este tipo de estratégias que compram e vendem ao mesmo tempo a mesma coisa são, no longo prazo, normalmente estratégias perdedoras pois os pequenos lucros conseguidos na arbitragem de curto prazo são gastos nas pesadas comissões que este tipo de estratégias acarreta.

Na minha opinião, pelo menos uma coisa era óbvio: o seu fundo de investimento alternativo rendia sensivelmente entre 1 e 1.5% ao mês desde 1996, o que dava uma rentabilidade anual entre 12 e 18%. Ora, um entendedor dos mercados sabe que isso cheira muito a esturro. Um fundo alternativo até pode ganhar bem em bear markets porque pode fazer short selling ou hedging nos mercados de futuros e opções mas, em 22 anos, nunca ter tido um trimestre negativo é sinal que as coisas correm demasiado bem e que é preciso investigar.

Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

BCP

O Banco Comercial Português, S.A. (Millennium BCP) é uma instituição financeira privada com base em Portugal. O Millennium BCP possui 885 sucursais em Portugal que operam igualmente sob a marca Millennium na Polónia, Grécia, Romênia, Suíça, Turquia, Moçambique, Angola e Estados Unidos da America. O Banco oferece uma gama de actividades bancárias e serviços financeiros em Portugal e no estrangeiro, com especial enfoque na banca comercial, corporativa e de banca de investimento, bem como na banca privada e gestão de activos.

Os fundamentais do BCP são, em termos gerais, medianos mas têm vindo a degradar-se ultimamente: o ROE (Retorno sobre Capitais Próprios) passou de uma média de 16.89 nos últimos 5 anos para 5.74 nos últimos 12 meses. O mesmo se passa com o "Net Profit Margin" (Margem Líquida) que passou de uma média de 20.26 para 13.62. A dívida de longo prazo está dentro do normal para a indústria.

À semelhança do mercado e especialmente do sector financeiro, o aspecto técnico de longo prazo é bastante mau: o BCP caiu sensivelmente 84% desde os máximos de 2007 e está em bear market desde 1998.

No médio prazo, o BCP está limitado por uma LT (Linha de Tendência) descendente que vem desde meados de 2007: só a quebra em alta dessa LT determinará o fim da correcção:



No curto prazo, temos uma Falling Wedge (Cunha Descendente) que já foi activada e que pode projectar o BCP para a zona dos 1.3€, muito perto da LT descendente acima referida:



No entanto, convém ter alguma cautela pois as cunhas descendentes costumam ter fracas performances em bear markets...

Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

CUIDADO COM AS VOLATILIDADES

Ultimamente tenho notado que os warrants do Commerzbank sobre acções Portuguesas estão com volatilidades de cortar a respiração. Por exemplo, o 8330Z (Call BPI 1.5 03-09 CZ) está com uma volatilidade de 65%, o que é, na minha opinião, totalmente descabido. O 8322Z (Call BCP 0.8 03-09 CZ) idem aspas.

Quem comprar estes warrants "Vanilla" com estas volatilidades, sujeita-se a perder dinheiro mesmo que as acções subjacentes subam consideravelmente, tal como espero que aconteça (ver "S&P 500 NOS 1100?"). Isto porque, embora o warrant do tipo call suba com a subida do activo subjacente, a componente da volatilidade poderá descer 50% nestes 2 exemplos mencionados. Assim, mesmo que o BPI suba uns 20% para os 1.6€, se a volatilidade descer 50% para os 32.5% - que é o normal para a volatilidade de acções, o call warrant valerá sensivelmente 0.18, ou seja, exactamente o mesmo que os actuais 0.18!

Para evitar esse logro, é fundamental saber-se qual a volatilidade que está a ser praticada pelo emitente ou market maker do warrant. Para isso, nada como ter uma calculadora de warrants. Há várias disponíveis na internet, bastando procurar no Google por "option calculator". Eis uma delas:

Numa Option Calculator

Uma boa semana,

Dax Speculator

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

PREMIO PIADA DO ANO

Depois de atribuído o prémio ao melhor livro do ano (ver "PREMIO LIVRO DO ANO"), é altura de entregar o prémio para a Piada do ano. Eis a frase vencedora de 2008:

"Subprime? It's contained!"

Ou, em Português:

"Crise do Subprime? Está contida!

Eis 2 vídeos hilariantes, um deles até é do famoso Cramer:






Finalmente e apesar desta semana ter menos disponibilidade irei procurar fazer uma análise ao BCP.

PS: quem quiser uma análise a outro título, pode pedi-lo nos comentários às mensagens.

Votos de uma semana bullish,

Dax Speculator

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

WARREN BUFFETT E OS COLCHOES

Na última terça-feira, Warren Buffett enviou um e-mail aos directores da Berkshire Hathaway (BRKa.N). O assunto era sobre o último leilão de obrigações do Tesouro Americano que pagam uma taxa de juro de 0%! O e-mail de Warren dizia o seguinte:

"This should be bullish for Berkshire. With great foresight, I long ago entered the mattress business in a big way through our furniture operation. Now mattresses have become fully competitive as a place to put your money, and sales will soon take off."

Ou, em Português:

"Isso deve ser bom para a Berkshire. Com grande antecipação, há muito tempo entrei no negócio dos colchões, numa grande operação realizada através do nosso negócio do ramo mobiliário. Agora os colchões tornaram-se muito atractivos para investir, e as vendas irão descolar em breve."

Warren ironiza neste e-mail mas a mensagem que ele quer passar é que, para quem está focado no longo prazo, não há alternativas reais às acções, mesmo que os retornos não sejam sempre absolutos... ;-)

Dax Speculator

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

EDP

A EDP Energias de Portugal S.A. (EDP) é um operador ibérico de soluções energéticas que desenvolve as suas actividades nos domínios da produção, fornecimento e distribuição de electricidade e de abastecimento e distribuição de gás. A EDP está presente também na geração de electricidade, abastecimento e distribuição no Brasil. Opera através de 6 unidades comerciais: Produção de Electricidade, Energias Renováveis, Distribuição Electricidade, Gás e Energias do Brasil. Em Abril de 2008, a empresa adquiriu a EDP renováveis através da Nuevas Energias de Occidente (NEO), empresa detida a 100% pela EDP. Em Fevereiro de 2008, a Horizon Wind Energy, LLC subsidiária detida a 100% pela EDP para o mercado Americano de energias renováveis, adquiriu à Hydra Energy, LLC, um portfolio de 6 projectos em fase inicial de um total de 1050 megawatts de capacidade eólica, localizada nos Estados de Illinois, Indiana e Ohio, Estados Unidos da América.

A EDP tem bons fundamentais: com um "LT debt to Equity" de 178.11, um "Return on Equity - 5 Yr. Avg." de 13.49 e um "Net Profit Margin - 5 Yr. Avg." de 8.10 podemos concluir que a EDP actua num mercado maduro e que os retornos esperados, não sendo espectaculares, serão muito provavelmente consistentes.

Em termos técnicos, a EDP também não foge ao mercado e tem estado por isso a corrigir desde finais de 2007, limitada também ela (ver "PORTUGAL TELECOM") por um canal descendente actualmente com base e topo aproximadamente nos 2.2€ e 3.3€, respectivamente:



Num prazo mais curto, a EDP formou recentemente um diamante cuja eventual quebra em alta (nos 2.6€) a projectará para cima dos 3.5€. Repare no volume a retroceder:



Votos de uma semana sem carne Irlandesa,

Dax Speculator

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

PREMIO LIVRO DO ANO

Estava eu a passar tempo numa conhecida livraria quando encontrei este exemplar que promete virar clássico:

"João Rendeiro
Testemunho de um banqueiro
A história de quem venceu nos mercados"



Suponho que a editora o irá retirar em breve do mercado porque a estratégia de retorno absoluto já não é o que era (quando as bolsas subiam)...

Bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PORTUGAL TELECOM

A Portugal Telecom SGPS SA (PTC) é uma holding que, através de suas subsidiárias, fornece uma gama de serviços de telecomunicações e multimédia em Portugal e noutros países, principalmente no Brasil. A PTC fornece serviços de telefonia fixa, que incluem serviços de linha fixa de telefone a clientes residenciais e não-residenciais, linhas alugadas, aluguer grossista de linhas, interconexão, acessos de internet, dados e soluções de negócio, portal de comércio electrónico e serviços através das suas subsidiárias, nomeadamente PT Comunicações, SA. Oferece serviços de telecomunicações móveis, tais como voz, dados e serviços ligados à Internet através da sua subsidiária em Portugal, TMN-Telecomunicações Móveis Nacionais, SA (TMN) e no Brasil através dos 50% que detém na Vivo Participações SA (Vivo). Opera através de três segmentos: Telefonia (incluindo a retalho, Grossista e Dados e Corporativo), Móvel Nacional (TMN) e Móvel Brasileira (Vivo).

Os seus fundamentais são globalmente bons à excepção da sua dívida de longo prazo que é, no meu entender, excessiva e acaba por pesar e penalizar a empresa no longo prazo: a PTC devia, no fim do 1 semestre, quase 7 mil milhões de Euros.

Em termos técnicos, a PTC encontra-se, à semelhança do mercado em geral, numa tendência descendente desde finais de 2007 e cuja evolução se encontra bem definida por um canal descendente. O topo desse canal é a próxima grande resistência e encontra-se aproximadamente nos 6.65€. Eis o gráfico semanal:



No gráfico diário, temos um Head & Shoulders invertido que, à ser activado (se quebrar a neckline, ou seja, 6.25€ e muito perto dos 6.65 do canal), projectará a PTC para cima dos 8€:



Acerca da descida de 75 pontos base anunciada pelo BCE à menos de 2 horas, em jeito de comentário, parece que finalmente perceberam que há mais vida para além da inflação (ver "O PROBLEMA DO BCE").

Votos de um BCE mais pró-activo,

Dax Speculator

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

GALP ENERGIA

A Galp Energia SGPS, SA (Galp) é uma holding das empresas envolvidas em várias áreas: Exploração e Produção, Refinaria e Marketing, Gás natural e electricidade. Na área de exploração e produção, a companhia está principalmente envolvida na exploração de petróleo e gás no Brasil e em Angola. Na área de Refinaria e Marketing, a Galp está activa no funcionamento das refinarias de petróleo e gás para a produção de gasolina, diesel e combustível de avião, entre outros. Ela opera duas refinarias em Portugal: uma em Sines e outra no Porto. Na área da energia, a Galp gera energia eléctrica e térmica. No segmento de Gás Natural, a principal actividade consiste na distribuição de gás natural em Portugal e em Espanha. A suas subsidiárias são a Galp Energia S.A., Petróleos de Portugal - Petrogal S.A., Galp Energia SGPS S.A. e GDP - Gás de Portugal SGPS S.A..

A Galp tem fundamentais sólidos, direccionados para o crescimento. A sua dívida de longo prazo é relativamente pequena, o Retorno sobre Capitais Próprios é excelente (27.57 nos últimos 12 meses, não havendo ainda uma média para os últimos 5 anos) tendo, no entanto, uma margem líquida nos últimos 12 meses de apenas 4.78%.

Em termos técnicos, a Galp encontra-se numa tendência descendente que dura desde finais de 2007. Eis o gráfico que me parece descrever melhor a situação técnica da Galp, o semanal:



De salientar temos:

1- O volume diminuiu durante as últimas 4 semanas de quedas (em Outubro), indicando uma exaustão do movimento correctivo;
2- Existe uma flag (padrão de continuação) que poderá, no curto prazo, "obrigar" a mais alguns dias de correcções;
3- A Galp está a negociar num canal descendente cuja quebra em alta a projectará para uma subida de mais de 4€, ou seja, se o quebrar nos 10€ nas próximas semanas o target seriam os 14.5€;
4- Para o médio penso que é muito provável - à semelhança do resto do mercado - termos um rally alimentado short covering: as resistências mais significativas são a zona dos 10€ - limite superior do canal - e, mais significativa e coincidente com o target da quebra em alta do canal, o intervalo [14.5€;15€].

Bons negócios,

Dax Speculator

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Por onde começar?

Esta mensagem de hoje é dedicada àqueles que estão a iniciar-se por estes meandros das bolsas e que têm, por isso, pouca ou nenhuma experiência e que querem investir numa perspectiva de longo prazo.

Assim, quem está a dar os primeiros passos nos mercados financeiros deve começar pela Análise Fundamental - daqui em diante apenas AF - pois será esta análise que indicará O QUE COMPRAR e, não menos importante, O QUE NÃO COMPRAR. Bastará saber 3 racios financeiros da empresa para conseguir "separar o trigo do joio" e, consequentemente, comprar apenas empresas que criam valor accionista no longo prazo.

Para explicar esses 3 racios que considero mais importantes, não há nada como exemplificar com 2 empresas que concorrem uma com a outra: a Intel e a AMD.

Abram os seguintes endereços em 2 janelas ou separadores diferentes:

Racios financeiros da Intel

Racios financeiros da AMD

Mais ou menos a meio aparece uma secção denominada "Financial Strength", ou seja, Força Financeira. É aqui que está a dívida de curto e longo prazo da empresa e onde está um dos racios que nos interessa particularmente: o LT Debt to Equity (MRQ) - Long Term Debt to Equity (Most Recent Quarter) - que já tinha referido em "QUEM TERA MAIORES DIFICULDADES?" e que representa a Dívida de Longo Prazo relativamente ao Capital Próprio no Trimestre Mais recente. Mas porque se compara a dívida relativamente ao capital próprio de uma empresa? Porque não se pode comparar valores absolutos de dívidas de 2 empresas com dimensões diferentes. Por exemplo, é natural que a Intel tenha 100 vezes mais dívida do que a Portugal Telecom visto que tem uma dimensão aproximadamente 100 vezes superior. Por isso, o LT Debt to Equity (MRQ) - doravante apenas LTDE - de cada empresa é que ditará quais as mais endividadas. E porquê a dívida de longo prazo apenas? Porque, normalmente, é essa dívida que revela problemas estruturais na empresa. Na Intel, o LTDE é de 4.85, ou seja, esta tem uma dívida de longo prazo de 4.85 vezes o seu capital próprio, o que é relativamente conservador. No entanto, na AMD o LTDE é de 364. A AMD tem, por isso, uma dívida de longo prazo de 364 vezes o seu capital próprio, o que representa um serviço de dívida muito penoso.

Na secção "Profitability Ratios", surge outro racio que considero fundamental: o Net Profit Margin - 5 Yr. Avg., ou seja, a margem líquida média dos últimos 5 anos. Esse racio na Intel é de 19.13 mas na AMD é de -14.19. Quer isso dizer que, enquanto a Intel ganhou aproximadamente 19% líquidos nos últimos 5 anos, a AMD perdeu 14%...

Finalmente, na penúltima parte, aquela que diz "Management Effectiveness", aparece o "Return on Equity - 5 Yr. Avg.", que representa o Retorno sobre o Capital Próprio médio dos últimos 5 anos. Por outras palavras, quanto capital próprio foi preciso para gerar determinado retorno? Esse racio na Intel é de 17.96 mas na AMD é de -20.58. Quer isso dizer que, enquanto a Intel ganhou aproximadamente 18% nos últimos 5 anos relativamente ao seu capital próprio, a AMD perdeu 21%...

Depois de verificados esses 3 racios, penso que não restam dúvidas acerca da empresa na qual se deve investir no longo prazo: a Intel.

Alias, o mercado não teve dúvidas: enquanto a Intel desvalorizou 56% desde o pico de 2007, a AMD corrigiu 96% desde o seu pico de 2006. Regra geral, desconfiem sempre de empresas actualmente ou recentemente cotadas abaixo dos 3 USD/EUR/GBP: ou são start-ups e então vale a pena investigar mais ou, senão, não devem ser grandes espingardas para investir (podendo, no entanto, ser boas para especular).

Bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Conflitos de interesse

Hoje fui confrontado com mais um "estudo" muito "independente", publicado no JN online.

Eis o título da "notícia": "Geração dos 30 anos pode perder até 60% da reforma".

A parte que mais gostei foi:

"Adicionalmente, a menor natalidade gerará uma crise demográfica, que vai provocar uma multiplicação por um factor 2 do rácio de dependência em Portugal até 2060. Ou seja, a população em idade de reforma passará de 26,6% face ao resto da população em 2010 para 54,8% em 2060."

Ou seja, estes iluminados acham que podem estimar quantos bebés vão nascer a tempo de se tornarem activos, ou seja, até 2044 (pressupondo que a idade mínima para descontar continue a ser os 16 anos)!

Pois a mim parece-me que até 2044 poderão mudar muitas coisas que tornam estas longínquas previsões no mínimo um bocado complicadas: coisas como a fase do ciclo económico, o estilo de vida, as eventuais guerras, etc...

E de quem é o estudo? É da Optimize Património e Reforma, uma gestora de PPR, nada interessada no resultado do seu próprio estudo! Não existe, por isso, nenhum conflito de interesses entre informar realmente o público e vender determinado produto ou serviço nesse "estudo"...

Peço desculpa por escrever tanto hoje mas, a não ser que não tenha tempo, há coisas que não consigo deixar passar em branco!

Votos de reformas realmente optimizadas,

Dax Speculator

BANCO PRIVADO PORTUGUÊS

Então não era este banco que dizia que eram um dos bancos mais capitalizados do mundo? Pela própria publicidade do banco, na revista Única (do Expresso), que tive oportunidade de ler algumas vezes:

"Somos um dos bancos mais capitalizados do mundo no seu segmento com capitais próprios de 200 milhões de euros."

E o que aconteceu à estratégia deles, denominada de Estratégia de Retorno Absoluto? Eis a definição do BPP:

"A Estratégia de Retorno Absoluto garante valorizações reais e potenciais muito competitivas, bem como a conservação do capital investido."

Meus caros, deixem-me clarificar isto:

Nos mercados accionistas nunca houve, não há nem irá algum dia haver, em caso algum, garantias de capitais investidos. Isto porque as empresas cotadas correm vários e diversos riscos todos os dias da sua actividade e, por isso, os seus investidores também. Há riscos políticos, económicos, de mercado, de gestão, de câmbio, de cobrança, etc... É o assumir desses riscos que proporciona retornos de longo prazo muito superiores aos depósitos a prazo e certificados de aforro. E quem disser que se pode investir nos mercados de capitais com garantias do capital investido está, das duas uma, ou a mentir ou, mais perigoso ainda para o crente nesse tipo de estratégias, pura e simplesmente não percebe patavina do que é o mercado accionista.

Votos de investimentos sem retornos absolutos,

Dax Speculator

terça-feira, 25 de novembro de 2008

DUPLO FUNDO NO DAX

Hoje vou falar no padrão actual do DAX, um duplo fundo. Este padrão ainda está por confirmar pois só a quebra em alta do zona dos 5400 o confirmará. No entanto, na minha opinião, é de arriscar e entrar aqui porque aumenta significativamente o potencial de lucro do trade. Agora sim (ontem acabei por publicar outro gráfico do cash DAX), eis o gráfico dos futuros do DAX:



Como se pode ver no gráfico, o volume vai diminuindo durante a maior parte do tempo como é apanágio deste padrão. O target esse será a zona entre os 6000 e 6200. Talvez seja coincidência ou talvez não ;-) mas é nesta zona que também está o último forte suporte semanal quebrado e agora resistência: os 6160. Finalmente, há que assinalar divergências no histograma do MACD e no RSI que, apesar de não estar assinalada no gráfico de futuros, é bem visível no gráfico do cash diário do DAX:



O padrão está alias em sintonia com as minhas últimas análises - ver "S&P 500 NOS 1100?" e "VENHA A W4" - em que antecipo a ocorrência de uma onda w4 correctiva (Teoria de Elliot).

Bons negócios,

Dax Speculator

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

S&P 500 NOS 1100?

No mundo financeiro a história repete-se vezes sem conta e é uma excelente fonte de conhecimentos.

Por isso observo regularmente os padrões dos preços do passado para poder especular sobre o futuro comportamento dos preços. Ontem, durante mais uma dessas observações procurava ver como tinha sido a última W4 de uma WC no S&P 500. E descobri-a:



Antes avançar com targets para esta W4 no S&P 500 e na sequência do que foi dito em "W4 NO EURO STOXX50", venceu claramente a 1ª hipótese:

"Estamos ainda na w3, mais precisamente na sub-w4 desta w3, e ainda teremos de enfrentar uma sub-w5 impulsiva que poderá quebrar os mínimos de Outubro"

No entanto, esta W4 actual deverá ser mais forte do que a do gráfico acima porque a respectiva W3 foi mais forte e violenta (princípio da acção-reacção) e porque a própria WC é por natureza mais violenta do que a do gráfico pelos motivos referidos em "PIOR CRISE DESDE 1929?".

Assim, o meu target para este rally no S&P 500 é a zona dos 1100.

Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Monopólio de consumidores

Hoje irei procurar explicar mais detalhadamente o que é um monopólio de consumidores ou de clientes referido em "A BUFFETTOLOGIA (PARTE II)".

Um monopólio de consumidores/clientes é uma empresa que controla um determinado mercado, é líder desse mercado. É o tipo de empresa que, ou não tem concorrentes à altura, ou não tem concorrentes algum porque está protegida destes pelo estado e/ou as suas leis.

E que empresas são bons exemplos de monopólios de consumidores? A Coca-Cola é um dos maiores monopólios de consumidores do mundo. Quantos pontos de venda terá a Coca-Cola em todo o mundo? Desconfio que nem a própria Coca-Cola sabe. Pensem em todas as mercearias, os supermercados, as estações de serviço, os cinemas, os restaurantes, bares e hotéis, fábricas e escritórios que lá têm a máquina automática... De todos estes negócios, quem não a tiver à venda irá de certeza perder vendas.

A Google é outro exemplo de um monopólio de consumidores. A Google detém cerca de 80% de quota de mercado nos motores de pesquisa em todo o mundo, o que lhe proporciona uma quota semelhante na publicidade online.

A Microsoft é outro monopólio de consumidores. Quem não tem um pc em casa com o Vista ou o XP (os mais antigos). E destes, quantos não têm o Office? Milhões...

Também existem monopólios de consumidores em Portugal: os bancos também são monopólios porque, apesar de terem concorrência, toda a gente tem de lá colocar o seu dinheiro. Raras são as pessoas que ainda optam pelo antigo colchão. Por isso, esta crise financeira deve ser vista como uma oportunidade de investimento neste monopólio específico que é a banca de retalho ou tradicional (não a banca de investimento que não é um monopólio de consumidores)

E as seguradoras também são monopólios de consumidores: toda a gente que compra um carro tem de fazer o seguro obrigatório. E as empresas de segurança também serão monopólios de consumidores enquanto houver ladrões...

Existem mais 2 empresas em Portugal que seriam excelentes exemplos de monopólios de consumidores SE não estivessem sujeitas à regulamentação: a Brisa e a EDP. Na prática não o são porque o estado fixa-lhes os aumentos anuais, entre outras coisas. Se não fosse a regulamentação, quem quisesse viajar de carro e pela auto-estrada entre o Porto e Lisboa teria de pagar à Brisa o que esta entendesse justo. A EDP também poderia cobrar aos seus mais de 700 mil clientes os preços que bem entendesse se não existisse a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) em Portugal e outras noutros países.

Uma boa semana,

Dax Speculator

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

COMO TER SUCESSO?

Escolhi falar sobre este tópico hoje porque permite a quem ainda não conseguiu ter muito sucesso nos mercados financeiros uma prolongada reflexão e eventual ajustamento da sua estratégia durante o fim-de-semana.

Já tinha abordado um pouco este tema em "SER ESPECULADOR" e irei hoje aprofundá-lo. Mas em vez de falar sobre o que não se deve fazer (como acontecia na maior parte dos artigos de diversos traders que tive oportunidade de ler), irei resumir o que se deve fazer: as estratégias, as atitudes, os pensamentos, as acções e outros factores que são, fundamentalmente, as causas do sucesso desta minoria - não mais de 5% pelas estatísticas - que ganha consistentemente nos mercados.

Assim, o especulador que se enquadra nesta minoria já não se emociona com ganhos de 100, 200 ou até 500% num só trade. Esse especulador não vai em euforias. A euforia aumentaria a sua auto-confiança e, consequentemente, a probabilidade de errar. Para ele é "business as usual"...

Por falar em probabilidades, ele negoceia sempre com esta variável a seu favor: nunca entra num trade em que a probabilidade de falhar é superior a 20%. E como determina ele isso? Vou exemplificar. As Rising Wedges (cunhas ascendentes), por exemplo, são dos padrões que mais falham o seu objectivo (início ou ponto mais baixo da cunha): entre 15 a 20% falham-no. Quer isso dizer que a cunha ascendente é um padrão a evitar a todo custo? Não mas o especulador terá que ter mais argumentos técnicos para negociar estas cunhas: deverá existir outro padrão técnico num time frame superior a suportar essa cunha ascendente. Já se for um Head & Shoulder, tendo em conta a baixa probabilidade de falha deste (2%), o especulador poderá entrar num trade apenas com base nesse padrão, desde que o tenha bem estudado.

Para além disso, o especulador sabe que vai errar num futuro não muito distante e que, por isso, não pode alocar mais de 30% por tipo de activo. Não pode, por exemplo, ter 20% do capital em opções de compra do EUR/USD e mais 20% de opções de compra do Ouro: estes 2 activos estão fortemente correlacionados e, por isso, esse trade representaria uma alocação de capital de 40%. Só em casos muito excepcionais é que esses 30% podem ser ultrapassados. Por exemplo, quando estão todos os participantes do mesmo lado tal como aconteceu no 2º trimestre deste ano com as commodities e as moedas. Para além de tudo isso, o money management deve ser mais agressivo nos trades a favor da tendência e mais defensivo nos que são contra esta. Em futuros e opções, o trade também deve ser capaz de resistir a perdas iniciais até 30%.

Ter um plano de trading também é obrigatório. Esse plano deve identificar inequivocamente o padrão que se está a negociar, os possíveis preços de entrada e saída do trade e respectivas probabilidades destes. Deve-se obviamente alocar a maior fatia do capital nos preços mais prováveis.

Por fim, um constante acompanhamento e conhecimento da actual envolvente macro-económica e política é essencial. A envolvente macro-económica só se sabe percebendo na íntegra os diversos ciclos económicos: o Super Ciclo, o Grande Ciclo e o Ciclo.

Resumindo, eis (por ordem decrescente) o que considero mais importante para o especulador ter sucesso:


* Ser frio - sem emoções, sentimentos ou feelings - durante todo o processo;
* Negociar só e só se a probabilidade de falha for inferior a 20%;
* Expor na maior parte dos casos até 30% do capital por tipo de activo;
* Ter um plano de trading bem definido;
* Acompanhamento e conhecimento do momento macro-económico e político.


Finalmente e por falar em sucesso, George Soros disse ontem perante a Comissão de Avaliação e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes Americana que a recessão é já inevitável e que não se pode descartar a possibilidade de uma longa depressão. Também afirmou que não se deve impor "regulamentações equívocas".

Sobre a possibilidade de longa depressão, estou certo que teremos uma Grande Depressão este século mas estou certo que não será para já, com este crise. Discordo por isso de George Soros e acredito que não é provável que isso aconteça: os governos dos países desenvolvidos (G7) e em desenvolvimento (G30) estão em condições de reagir a esta crise e estão a fazê-lo de uma forma global e concertada, pondo assim um travão ou, pelo menos, definindo um fundo para esta crise.

Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A BUFFETTOLOGIA (PARTE II)

Quando tudo o que é notícia fala de crise, recessão, desemprego, falências... o investidor tem de estar atento às oportunidades que podem existir no mercado.

Este tipo de oportunidades existiram em finais do mês de Outubro, altura em que o mais carismático e bem sucedido investidor do mundo Warren Buffett disse numa entrevista ao New York Times:

"O mundo está um caos financeiro, tanto nos Estados Unidos como no exterior. O problemas do sector financeiro, aliás, foram-se propagando para a economia real, e as fugas transformam-se agora num violento jacto. A curto prazo, o desemprego irá aumentar, a actividade empresarial irá esmorecer e as manchetes vão continuar a ser assustadoras."

"Então ... tenho comprado acções Americanas. Esta é a minha conta pessoal, de que estou a falar, na qual anteriormente detinha apenas obrigações do Tesouro dos Estados Unidos. (esta descrição deixa de lado as minhas acções da Berkshire Hathaway...). Se os preços continuarem tão atractivos, o património líquido desta minha conta será em breve totalmente constituída por acções Americanas."

E porque compra Warren Buffett? Porque Warren Buffett está focado no longo prazo. Na minha 1º mensagem sobre a estratégia de Warren Buffett (ver "A BUFFETTOLOGIA (PARTE I)", falei sobre o investimento na perspectiva do negócio e as suas linhas orientadoras:

  1. Esperar que o mercado desvalorize em vez de rezar para que suba, de modo a poder comprar partes significativas de empresas cotadas de que estava à espera de ser accionista;
  2. Ter o pensamento orientado à análise do negócio e perceber que a razão mais estúpida para ter uma acção é acreditar que esta vai subir na próxima semana;
  3. Deixar de comprar uma acção na esperança de uma valorização de 25% em 6 meses para investir num negócio que estima lhe dará 1 taxa de rentabilidade anual de 15% ou mais nos próximos 5 ou 10 anos;
  4. Aprender que a diversificação serve apenas para as pessoas se protegerem da sua própria estupidez;
  5. Ter grandes ideias de investimento quando fizer compras no supermercado;
  6. Descobrir que a "Pipi das Meias Altas" e o seu corretor podem ser bastante optimistas mas nenhum deles tem muitos conhecimentos de finanças;
  7. Perceber porque uma acção cotada a 100€ pode estar barata e que uma outra a 10€ pode estar brutalmente cara;
  8. Finalmente, começar a pensar em acções como se fossem obrigações com uma taxa de juro variável.
Ora, é a essas regras que Warren obedece diariamente. E começou a acumular acções para a sua conta pessoal em Outubro tendo em conta principalmente a orientação n.º 3. Ele estima obter uma rentabilidade anual superior a 15%, ano após ano. E como estima ele essa rentabilidade? Isso será tema para outra dia mas a regra básica é muito simples: quanto menor o preço de aquisição, maior será a rentabilidade anual estimada.

E que empresas interessam a Warren? Basicamente são estas as características que Warren procura:

  1. É Monopólio de clientes (*)?
  2. Os resultados apresentam uma tendência ascendente (últimos 10 anos)?
  3. O financiamento é conservador (Long Term Debt to Equity ou Total Debt to Equity, ou seja a dívida de longo prazo ou a dívida total divida pela Capital Próprio)
  4. Os ROE (Retorno Sobre Capitais Próprios) dos últimos anos são bons e consistentes (ROE 5y >= 15)?
  5. Retém os lucros (**)?
  6. Tem baixas despesas de operações correntes?


Concluindo, Warren borrifa-se completamente para o curto prazo (onde é que já li isto? ;-) e, melhor ainda, até tira vantagem daí quando a irracionalidade da maior parte dos intervenientes os obriga a vender ao desbarato tanto boas como más empresas para satisfazer necessidades de capital. Tal irracionalidade aconteceu em Outubro, altura em que tivemos boas empresas a serem cotadas a preços de pré-aumentos de capital que, por enquanto, não se vieram a verificar.

(*) - Um Monopólio de clientes é uma empresa que controla o mercado, que tem uma larga maioria desse mercado. Exemplos de Monopólio de clientes são a Coca-Cola, Mc Donalds, Google, Microsoft, Cisco, bancos, empresas de segurança, ...

(**) - Warren prefere não receber dividendos porque estes são tributados a uma taxa muito superior do que os lucros da própria empresa. Warren prefere que a empresa utilize esse dinheiro sempre que o valor acrescentado pelos resultados retidos aumente o valor da empresa.

Bons investimentos,

Dax Speculator

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

JIM ROGERS NA CNBC

Hoje vou limitar-me a partilhar uma das últimas entrevistas de Jim Rogers (1 dos 3 mais bem sucedidos investidores/especuladores, a par com Warren Buffett e George Soros) à CNBC. Jim dá uma lição ao "analista" que tenta convencê-lo que iremos ter deflação:



Uma boa semana,

Dax Speculator

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

W4 NO EURO STOXX 50

Na minha última contagem de Elliot (ver "VENHA A W4" e "ELLIOT E O BEAR MARKET") dava como hipótese mais provável estarmos a terminar a w3 impulsiva da WC da actual correcção em A-B-C (bear market):

"Pela minha contagem, esta WC estará agora a terminar a sua sub-onda w3 impulsiva. Depois de terminada a w3, teremos uma w4 correctiva (contra a tendência dominante) e, finalmente, uma w5 impulsiva de capitulação"

Esta minha mensagem de hoje é sobre o Euro Stoxx 50 e serve para alertar para a possibilidade de a w3 ainda não ter acabado e vir pregar mais algumas partidas aos bulls.

O que posso garantir desde já, quer no S&P 500 quer no Euro Stoxx 50, é que a w1 e a w2 já terminaram e que estamos numa w4. No entanto, não está garantido ainda se esta w4 é a w4 da WC ou se é a sub-w4 da w3. Resumindo, temos 2 possibilidades em aberto:

- Estamos ainda na w3, mais precisamente na sub-w4 desta w3, e ainda teremos de enfrentar uma sub-w5 impulsiva que poderá quebrar os mínimos de Outubro. Algo deste género:



- Estamos já na w4 desta WC e, por isso, este rally ainda tem mais pernas para andar no médio prazo (apesar de ser possível uma pequena correcção de curto prazo):



De qualquer forma, mesmo no caso mais bearish (a 1º possibilidade) uma sub-w5 nunca deverá quebrar em fecho semanal os mínimos de 2002, 800 $ no S&P 500 e 2000 € no Euro Stoxx 50. Assim, recomenda-se fazer aqui algumas mais valias até porque o movimento está a ficar esticado.

Para finalizar, um pequeno comentário acerca da eleição de Barack Obama. Tradicionalmente esta eleição é bearish para os mercados. E tem-no sido. Os mercados estiveram muito provavelmente a descontar, para além das crises do imobiliário e do crédito, também esta vitória de Barack Obama. E porquê? Porque Os Democratas costumam normalmente aumentar os impostos aos mais favorecidos (empresas, empresários, comerciantes, profissionais liberais...) para poder ajudar os menos favorecidos e isso é bearish para os mercados, ou seja, para o capital.

Agora que a eleição acabou os mercados (e eu próprio) irão procurar perceber quais serão as políticas económicas de Obama e descontar em conformidade.

Boas especulações,

Dax Speculator

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DIVERGENCIA NO BOVESPA

Na minha 1º análise técnica ao Bovespa (ver "ANALISE TECNICA DO BOVESPA") o índice ameaçava partir mais um suporte (os 48600):

"Dito isso, no semanal o Bovespa está muito bearish pois, apesar de se encontrar mesmo em cima de um forte suporte - os 48600 - constituído pela Linha de Tendência Ascendente de longo prazo e pelo próprio suporte horizontal, este não deverá aguentar muito tempo esta colossal pressão vendedora que levou o Bovespa a perder mais de 30% em 3 meses.".

E assim aconteceu. O Bovespa partiu todos os suportes que havia para partir pela frente, passando como faca em manteiga pelos 48600, 46000, 42000, 32800 até chegar aos 29400. É isso que acontece quando estão todos do mesmo lado... Mais, ficou mais um vez provado que não se deve negociar apenas tendo por base padrões de Candlesticks porque o Hammer identificado no gráfico diário na altura teve apenas um efeito positivo de curtíssimo prazo tendo o Bovespa caído mais de 40% depois de passado esse efeito.

Agora temos finalmente algumas boas notícias no Bovespa: uma divergência bullish no gráfico diário:



A título de exemplo e respondendo ao comentário do JP em "DIVERGENCIAS, COMO IDENTIFICAR E NEGOCIAR?", a zona assinalada deveria ter sido usada para fechar posições curtas e, eventualmente (*), abrir algumas posições longas a título especulativo.

Assim, estamos muito provavelmente num rally alimentado por short covering neste mercado e nos mercados de materiais básicos - vulgo commodities - que foram fortemente castigados nos últimos meses.

(*) - Eventualmente porque a tendência ainda é de baixa.

Boas especulações,

Dax Speculator

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Google

Hoje irei fazer uma analise técnica e fundamental à Google Inc., daqui em diante apenas Google.

De futuro, ao analisar uma empresa pela 1º vez e para além da análise técnica, publicarei também uma análise fundamental sumária da empresa visto que só a análise técnica não é, quanto a mim, suficiente para decidir investir ou não em determinada empresa. A análise técnica é suficiente para especular no médio prazo mas não para investir no longo prazo.

A Google é naturalmente uma líder do seu sector: o tecnológico. Incorporada em Setembro de 1998, mantém um índice de páginas de Internet e outros conteúdos online e disponibiliza esta informação livremente para qualquer pessoa com uma conexão à Internet. A Google gera receitas principalmente com a publicação de publicidade online. As empresas utilizam o seu programa AdWords para promover seus produtos e serviços de publicidade segmentada. Para além disso, os milhares de sítios Web de terceiros que compõem a Rede do Google usam o seu programa AdSense para apresentarem anúncios relevantes que geram receitas. A Google é proprietária do YouTube, do Gmail, do Blogger (no qual escrevo), do Feedburner e de outras companhias e marcas.

Vamos agora à uma análise fundamental resumida: a Google é uma acção de crescimento. O seu EPS (Resultado por acção) diluido anual cresceu a um ritmo de 3141% em 5 anos (de 0.41$ em 2003 a 13.29$ em 2007) e tudo indica que este ano será mais um ano de forte crescimento. E a dívida? A Google simplesmente não tem dívida. Eis os racios financeiros mais importantes:

- ROE (Retorno Sobre o Capital Próprio) de 21%;
- Margem líquida de 24%;
- Não paga dividendos (ainda).

No entanto, ainda lhe falta passar por uma recessão. O que está agora a acontecer... Estou curioso mas ao mesmo tempo confiante de que a empresa demonstrará robustez.

Em termos técnicos, estamos na presença de um possível diamante. Digo possível porque ainda não foi activado. Um breakout em alta e em fecho acima da zona dos 365$ projectará a Google para a zona dos 435 USD, uma subida de uns 20%:



Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

UM POR CENTO

Esta será a taxa directora nos Estados Unidos da América muito em breve sendo possível que seja anunciado hoje, às 19H15 GMT, pela FED.

Na minha penúltima mensagem (ver "O QUE DESCONTAR?", este era o 2º factor bullish a ter em conta:

* Continuado estímulo por parte da FED ao baixar as taxas de juro para baixo dos actuais 1.5%;

Um por cento é um nível muito agressivo e permitirá que as instituições financeiras e corporações em geral se financiem a um custo bastante mais baixo. É um forte estímulo à economia. E não deverá ficar por aqui. Não se admirem pois se houver nova baixa para 0.5% ou 0.75% antes do fim do no país do tio Sam.

Até o perma lagger BCE (ver "O PROBLEMA DO BCE") percebeu finalmente que a inflação não é o problema a endereçar na actual conjuntura macro-económica e deverá seguir já na próxima semana as pisadas do maestro FED.

Votos de juros abaixo dos 3 por cento,

Dax Speculator

terça-feira, 28 de outubro de 2008

BPI

Tendo sido, até agora, o sector financeiro um dos sectores mais penalizados neste bear market parece-me óbvio que também será um dos sectores que mais beneficiará do actual rally.

Irei por isso fazer uma actualização à situação técnica do BPI que continua a ser, na minha humilde opinião, o banco Português mais sólido em termos fundamentais (*).

Em Julho, na minha 1ª análise técnica ao BPI (ver "ANALISE TECNICA DO BPI"), a minha recomendação era a seguinte:

"Sendo assim, o BPI encronta-se num canal descendente desde Outubro 2007. Parece-me muito provável uma ida ao fundo do canal, ali muito perto dos 2€. Logo, quem quiser entrar neste título para o longo prazo, Dax Speculator aconselha que essa entrada seja feita precisamente na base do canal. Já para o trading de curto/médio prazo, Dax Speculator recomenda ficar de fora para já."

Ou seja, ir entrando para o longo prazo ali no fundo do canal e evitar para quem estivesse apenas focado no médio prazo.

Pois agora Dax Speculator recomenda entrar para qualquer timing pois estes preços (1.6€) são pura e simplesmente irracionais visto que o mercado foi claramente influenciado pelo pânico e irracionalidade. O BPI vale para Dax Speculator pelo menos o seu Equity /Share ou Book Value, o que representa sensivelmente 1.87€. Só há 2 formas de ele deixa de valer isso:

1- Aumentos de Capital
2- Falência

Tecnicamente, o BPI continua encurralado no grande canal descendente já mencionado em Julho e visível no seu gráfico semanal:



No gráfico diário temos 2 Hammers (padrão de inversão da teoria dos Candlesticks com fiabilidade média/baixa) sendo que o 1º até pode ser considerado um Dragonfly Doji (que tem uma fiabilidade média) e uma queda com volume a diminuir (não assinalado no gráfico mas perfeitamente visível) o que indica claramente exaustão:



(*) - Analisei apenas os fundamentais do BPI e do BES. O BES tem uma página de relações com os investidores bastante lenta e que, por isso, dá logo fracas expectativas ao investidor. Quanto ao BCP não precisei de analisar nada pois tenho opinião formada há muito tempo, desde a altura em que era cliente...

Uma boa semana,

Dax Speculator

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O QUE DESCONTAR?

O especulador/investidor deve saber sempre e a qualquer momento o que o mercado poderá ou não ter de descontar nos próximos 3 a 6 meses sendo que a evolução macro-económica e política são os principais factores a ter em conta.

A evolução macro-económica é a mais importante visto que influencia directamente os resultados das empresas: em períodos de expansão estes aumentam mas em períodos recessivos eles diminuem.

A evolução política é também muito importante, especialmente em períodos recessivos, pois é normalmente o estado a procurar segurar ou mesmo inverter o rumo da economia nessas alturas.

Em Junho (ver "ACTUALIZAÇÃO ELLIOT - DAX") os factores a descontar a médio prazo pelo mercado eram maioritariamente bearish.

Vamos agora rever esses factores a fim de termos uma perspectiva daquilo que os mercados poderão descontar para os próximos 3 a 6 meses. Alguns factores desaparecem pois já fazem parte do passado e outros foram actualizados pois já tiveram novos desenvolvimentos.

Do lado bullish temos:

* Eleições Americanas para o próximo mês, com elevada probabilidade de vitória de Barack Obama e dos Democratas;
* Continuado estímulo por parte da FED ao baixar as taxas de juro para baixo dos actuais 1.5%;
* Possível novo plano fiscal/económico depois das eleições e já sugerido pelo presidente da FED, Ben Bernanke;
* Resultados das empresas poderão não decepcionar tanto quanto o que o mercado já descontou;
* Forte suporte na zona dos 950 (anterior resistência em finais de 2002 e 76.4% de Fibonacci de todo o movimento de 2003 a 2007);
* Descida da inflação causada pela descida das componentes relativas à energia e matérias primas.


E do lado bearish:

* Economias do G7 já estão em recessão ou a entrar em recessão;
* Economias emergentes em forte abrandamento (de-decoupling :-);
* Espectro de falências também noutros sectores - para além do financeiro - provocado pela diminuição dos lucros, das margens, dos activos financeiros e do crédito disponível;
* Forte e continuada pressão no consumidor Americano causada pelo rebentamento da bolha imobiliária e do crédito, subida do desemprego e diminuição do crédito disponível;
* Mercados literalmente em modo panic sell;

Contrariamente ao mês de Junho - altura em que os factores eram maioritariamente bearish - temos agora um maior equilíbrio.

Resta saber a que factor(es) o mercado prestará maior atenção nos próximos meses. Penso que as eleições Americanas serão esse factor a que o mercado prestará maior atenção, descontando uma boa ou má política por parte da nova administração.

Bons investimentos,

Dax Speculator

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

PENNANT NO DAX

O DAX está muito próximo de tomar uma decisão sobre o seu rumo ou não estivesse ele a desenhar um pennant. O breakout e posterior movimento dos preços prevêem-se violentos, diminuindo pouco a pouco de intensidade.

Mas antes de mais, o que é um pennant? Um pennant é uma figura técnica de curto prazo - com duração inferior a 3 semanas - e que significa que há indecisão por parte do mercado. O breakout pode ser para qualquer dos lados pois, apesar de ser normalmente um padrão de continuação de tendência, nem sempre é assim. Eis o gráfico do pennant:



Ou seja:

* Um fecho acima dos 4860 representa uma quebra em alta do padrão e projecta o DAX para valores próximos dos 6016;

* Um fecho abaixo dos 4720 (*) representa uma quebra em baixa do padrão e projecta o DAX para valores próximos dos 3691.

(*) - Apesar do Dax ter quebrado hoje em fecho os 4720, tendo em conta a elevada percentagem de breakouts prematuros deste padrão, é altamente aconselhável esperar pela quebra em fecho dos 4308 para abrir posições curtas.

Uma boa semana,

Dax Speculator

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

VENHA A W4

Em seguimento da minha última mensagem (ver "FALSO BREAKOUT"), irei hoje procurar determinar qual será o movimento dos preços deste anunciado short covering.

Pela Teoria de Elliot e a acontecer este ressalto, ele corresponderá a uma w4. Uma w4 é uma onda correctiva - contra a tendência - e que se desdobra normalmente da seguinte forma no S&P500 (gráfico cortesia da Stockcharts):



Ou seja, esta onda w4 deverá ser formada em a-b-c, com elevada probabilidade de termos uma wa muito mais comprida do que a wc tal como acontece normalmente nos a-b-c a subir.

Finalmente e para descontrair para o fim-de-semana que se aproxima, eis uma piada que me enviaram recentemente por e-mail e que é bem actual (espero que nenhum dos leitores tenha comprado algum destes 2 títulos em 2007):

Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros em acções da Nortel Networks, um dos gigantes da área de Telecomunicações, hoje terias 59 Euros.

Se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros em acções da Lucent Technologies, outro gigante da área de telecomunicações, hoje terias 79 Euros.

Agora, se tivesses comprado, há um ano, 1.000 Euros da Super Bock (em CERVEJA, não em acções), tivesses bebido tudo e vendido as garrafas vazias, hoje terias 80 Euros.

*Conclusão:*

No cenário económico actual, perdes menos dinheiro se ficares sentado a beber SUPER BOCK o dia inteiro...


Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

terça-feira, 14 de outubro de 2008

FALSO BREAKOUT

O S&P500 quebrou, na semana passada e em fecho a zona dos 950 mas esta semana o mercado rejeitou estes valores, o que resultou num falso breakout.

Assim, nos próximos meses haverá certamente lugar a um forte ressalto alimentado por short covering e que nos deverá levar, no S&P500, até ao anterior suporte situado na zona dos 1160 (ver "GRANDES CRISES, GRANDES REMEDIOS"):



Alias, este target dos 1160 está ligeiramente acima dos 50% de retracement de Fibonacci de todo o movimento de queda desde Maio até Outubro, os 1140. A suportar esta minha convicção de forte rallye, está também um Bullish Long Legged Doji na sessão da passada 6ª feira. Este padrão da Teoria dos Candlesticks, que tem uma fiabilidade média, é um dos padrões de inversão importantes. É caracterizado por um doji com sombras muito longas e mostra a indecisão dos compradores e dos vendedores. Eis o gráfico:



Votos de um 4º trimestre bullish,

Dax Speculator

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CRISE DESMISTIFICADA

Depois de várias conversas com pessoas que não ligam muito a estas coisas da bolsa e da economia fiquei convicto que a maior parte das pessoas não entende muito bem o que correu mal. Eis uma explicação bem humorada - não viesse ela da galera do Brasil - para o que está acontecendo nos mercados:

Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender... É assim:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifudeu !

Viu... é muito simples...!!!


Numa nota apenas um pouco mais séria, eis um site que todo o investidor nervoso deve visitar antes de vender as suas acções ao desbarato:

Wallstreetpong

Finalmente e agora numa nota mesmo séria, o S&P 500 quebrou ontem em fecho os 959 que representam ou representavam (já nem sei) os 76.4% de retracement de Fibonacci de todas as subidas de 2002 a 2007 (correspondentes à WB). Penso que tudo é possível pois os mercados estão sendo conduzidos pelo medo. A irracionalidade impera. Mas, na minha opinião, começam a existir oportunidades excelentes e estou obviamente a aproveitá-las em sectores como os materiais básicos - vulgo commodities - e financeiro.

Contudo há que ser selectivo nos activos a comprar (sobretudo no sector financeiro), ter prudência e "não chamar para já a cavalaria" pois, se o índice mais representativo da economia Americana fechar a semana abaixo deste nível dos 959, não vejo outro destino que não os 768, mínimos de 2002...

Um bom, sereno e reflexivo fim-de-semana,

Dax Speculator

terça-feira, 7 de outubro de 2008

TARGET ATINGIDO NA RIO

Hoje irei fazer uma análise técnica de acompanhamento à Companhia Vale do Rio Doce, cotada no Bovespa. A minha análise é sobre o ADR cotado em Nova Iorque mas é válida também para a Vale do Rio cotada na Bovespa, mudando apenas os valores que passam de Dólares para Reais.

Na minha última AT ao ADR (NYSE) da Vale do Rio Doce (ver "VALE DO RIO DOCE", coloquei a hipótese da Vale do Rio ir aos 28 USD fechar o gap. Isso não aconteceu. Tivemos antes uma continuada e violenta correcção até ao target do padrão - uma Broadening Wedge, Ascending - que eram os 13.5 USD.

A partir de agora é muito provável termos uma negociação em trading range até que se haja sinais de recuperação económica, o que nunca será antes do 1 semestre de 2009. Ou seja, para quem quiser fazer trading de curto/médio prazo, é comprar nas resistências - a zona dos 12 USD - e vender nos suportes - a zona dos 20 USD. No entanto, todo o cuidado é pouco pois se quebrar a zona dos 12 USD o cenário de trading range perde a validade... Eis o gráfico (cortesia da Stockcharts):





É isso aí,

Dax Speculator

ELLIOT E O BEAR MARKET

Hoje vou fazer uma actualização à contagem de Elliot no S&P500 visto que a minha última contagem de Elliot data de 26 de Junho e ser sobre o Euro Stoxx 50 (ver "DOW JONES EURO STOXX 50").

Mas antes de mais queria dizer que errei ao identificar um presumível Hammer no Dax (ver "HAMMER NO DAX"). Essa vela não é um Hammer pelo simples facto de não respeitar uma das 3 condições para ser um Hammer: ter uma sombra inferior pelo menos 2 vezes maior do que o seu corpo. Como especulador, quanto mais cedo reconhecer os meus erros melhor. No entanto, isto não significa que o panic sell verificado ontem não seja bullish no médio prazo...

Vamos agora à contagem de Elliot no S&P500. Na teoria de Elliot, este bear market que dura desde 1999/2000 (dependendo dos sectores), desenrolar-se-á numa gigantesca correcção em A-B-C. Sendo assim, teremos uma onda WA impulsiva que durou de Março de 2000 a Março de 2003, a onda WB correctiva que durou de Março de 2003 a Outubro de 2007 e estamos neste momento e desde de Outubro 2007 na terrível WC.

Pela minha contagem, esta WC estará agora a terminar a sua sub-onda w3 impulsiva. Depois de terminada a w3, teremos uma w4 correctiva (contra a tendência dominante) e, finalmente, uma w5 impulsiva de capitulação:




Uma boa semana,

Dax Speculator

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

O PROBLEMA DO BCE

O BCE foi criado em 1998 e é o mais novo banco central dos países desenvolvidos. A sua política monetária tem como objectivo principal, tal como está no site oficial:

"The primary objective of the ECB’s monetary policy is to maintain price stability. The ECB aims at inflation rates of below, but close to, 2% over the medium term."

Ou seja, o objectivo principal da política monetária do BCE é manter a estabilidade dos preços. O BCE tem como objectivo taxas de inflação de médio prazo em torno dos 2%, nem muito acima, nem muito abaixo. Ou seja, nenhuma palavra sobre emprego e crescimento...

Uma inflação controlada é um objectivo digno de ser defendido mas, na minha humilde opinião, o BCE poderia fazer mais. Quero acreditar - mas não vejo evidências disso - que os seus responsáveis sabem que a inflação é, tal como o emprego, um indicador atrasado.

Ora, como indicador atrasado que é, a inflação só começa a ceder quando a economia já está a entrar em recessão, como é o caso actualmente. E é isso que está a acontecer: só agora é que o BCE está a considerar descidas nas taxas de juro. E está a pensar fazê-lo mais rapidamente por causa dos problemas que o sector financeiro Europeu começou a revelar nas últimas semanas. Caso contrário, iriam talvez esperar que a zona Euro estivesse mesmo de certeza em recessão antes de pensarem em descidas na taxa de juro.

Para bem das economias da zona Euro, faço votos para o objectivo principal passe a ser num futuro não muito longínquo mais abrangente, algo do género:

"The primary objective of the ECB’s monetary policy is to maintain price AND ECONOMIC GROW stability. The ECB aims at inflation rates of below, but close to, 2% AND GDP OF ABOVE, BUT CLOSE TO 3% over the medium term."

Em Português ficaria algo do género:

"O objectivo principal da política monetária do BCE é manter a estabilidade dos preços e do crescimento económico. O BCE tem como objectivo taxas de inflação em torno dos 2% e de crescimento económico em torno dos 3%, no médio prazo."


Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

HAMMER NO DAX

A sessão de ontem foi das sessões mais bullish dos últimos 6 meses. Porquê? Porque foi a rejeição de novos mínimos por parte do mercado, o que sugere uma inversão da tendência de médio prazo.

Na teoria dos Candlesticks, a sessão de ontem formou um Hammer (ver gráfico em baixo). O Hammer é um padrão de inversão com fiabilidade média-baixa. No entanto há que ter em atenção outro factor que aumenta em muito a fiabilidade deste Hammer em particular: a já referida rejeição de novos mínimos no Dax por parte dos traders. Eis o gráfico com o fecho de ontem:




Nunca se deve negociar apenas com base na Teoria dos Candlesticks porque as failures seriam demasiado altas em termos percentuais. No entanto, se aliarmos a Teoria dos Candlesticks com a Análise Técnica clássica, então teremos uma elevadíssima taxa de sucesso!

Vivam os bailouts!

Dax Speculator

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ser especulador

Hoje vou falar um pouco sobre o que é ser especulador. Penso que será um tema interessante no meio de todos estes bailouts e dúvidas sobre o plano de Paulson.

Ser especulador é:

* Um constante acompanhamento da envolvente macro-económica (George Soros nunca teria tido tanto sucesso como especulador se não estivesse, a cada momento, bem informado sobre a respectiva situação macro-económica);
* Negociar o médio prazo pois o curto é demasiado imprevisível e, no longo prazo, apenas a morte é certa;
* Negociar tanto a favor como contra a tendência dominante;
* Ser Contrarian quando toda a gente está "certo" de que determinado activo só pode ir em determinado sentido;
* Ter uma estratégia de money management (alocação de capital) adequada, ou seja, mais agressiva nos trades com a tendência e mais defensiva nos que vão contra a tendência e capaz de resistir a perdas iniciais mínimas de 30%;
* Deixar todas e quaisquer emoções completamente de lado;

Votos de uma boa semana,

Dax Speculator

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

MAIS BAILOUTS

Eis mais 2 instituições financeiras de grande porte - o Wachovia e o Fortis - a serem bailed out.

O Wachovia foi salvo por outra da mesma espécie mas de maior porte: o Citigroup. Digo da mesma espécie porque, tal como o Wachovia, o Citi também não é gerido para criar valor accionista. Curiosamente, o Wachovia estava logo abaixo do Citi na minha lista (ver "QUEM TERA MAIORES DIFICULDADES?"), com uma LTDE (Long Term Debt to Equity) de 245.

Acerca do Fortis, confesso que fiquei surpreendido. Não estava à espera. No entanto, analisando melhor as coisas o Fortis tinha um LTDE de 384!

Assim e depois de ter reunido novos dados, principalmente de instituições financeiras Europeias (até agora tinha-me focado mais nas Americanas), eis a lista actualizada com o que eventualmente aconteceu a cada instituição e com a inclusão de mais instituições, com destaque para o ING que sobe para n.º 1 da lista:


- ING (LTDE=833)
- Merrill Lynch (LTDE=793) -> Bailout
- UBS (LTDE=748)
- Allianz SE (LTDE=714)
- Morgan Stanley (LTDE=611) -> Retorno à banca comercial
- Lehman Brothers (LTDE=488) -> Falido
- American Express (LTDE=482)
- Goldman Sachs (LTDE=464) -> Retorno à banca comercial
- Credit Suisse AG (LTDE=415)
- Deutsche Bank (LTDE=405)
- Fortis NV (LTDE=384) -> Bailout
- Citigroup Inc (LTDE=306)
- Wachovia Corp (LTDE=245) -> Bailout
- AIG Inc (LTDE=210) -> Bailout



Uma boa semana a todos e, de preferência, sem mais bailouts,

Dax Speculator

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

AT DA EXXON MOBIL

Tal como prometido no início desta semana, irei hoje publicar a minha 1º análise técnica à Exxon Mobil Corporation (Exxon Mobil).

A Exxon Mobil pesquisa e produz petróleo bruto e gás natural, fabrica produtos petrolíferos, transporta e vende petróleo bruto, gás natural e outros produtos petrolíferos. É uma fabricante e comerciante de commodities petroquímicas, incluindo olefinas, aromáticos, de polietileno e polipropileno plásticos,... Tem diversas divisões e afiliadas com muitos nomes que incluem Exxon Mobil, Exxon, Esso e Mobil.

Em termos semanais tivemos no 2º semestre de 2007 divergências no MACD, RSI e ROC, o que nos indicava um elevada probabilidade de termos uma correcção significativa a aproximar-se. E assim aconteceu: a Exxon começou a corrigir em Abril deste ano e não parou mais até meados deste mês:




No gráfico diário, o panorama é mais bullish porque tivemos o breakout (rompimento) em alta de um canal descendente que poderá levar a Exxon até muito perto dos 88 USD:




Com um gap ainda em aberto logo abaixo dos 90.199, os 88 USD não me parecem impossíveis, no entanto há que estar atento pois a tendência é agora de queda...

Finalmente, acerca do bailout do Washington Mutual (WAMU), esta instituição não constava da minha lista (ver "QUEM TERA MAIORES DIFICULDADES?") apenas por ter um Long Term Debt to Equity relativamente normal (117.27) mas o evoluir da sua cotação não deixava grandes margens para dúvidas de que poderia acontecer o que hoje foi anunciado: mais um bailout...

Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

VALE DO RIO DOCE

Hoje, conforme prometido, irei fazer uma análise de acompanhamento ao ADR da Companhia Vale do Rio Doce (Vale).

Na minha 1º análise à Vale (ver "AT A VALE DO RIO DOCE") foi identificado uma Broadening Wedge, Ascending com objectivo nos 13.5 USD. Ora, esse target mantém-se mas poderemos ter um ressalto até à zona dos 28 USD onde ficou um gap por fechar. Eis o gráfico semanal actualizado com uma das trajectórias possíveis para os preços:



Já no gráfico diário, temos uma pequena divergência no RSI (visível no gráfico) e também no MACD a algum aumento de volume a dar consistência à hipótese de short covering:




Uma pequena nota para a compra de cinco mil milhões de dólares em acções do Goldman Sachs por parte de Warren Buffett:


Warren,

É cada dia mais óbvio que andas a ler aqui o blog pá. O que vale é que andas a largar as tuas ordens aí desse lado gringo do atlântico. Fica por aí, ok?



É isso aí galera,

Dax Speculator

terça-feira, 23 de setembro de 2008

OURO E GASOLINEIRAS

Na minha última análise técnica ao Ouro (ver "PARA ONDE VAI O OURO?"), dei como alvo mais provável para este ressalto os 859, ou seja, 38.2% de Fibonacci.

Acontece que o metal precioso provou mais um vez que é muito volátil e acabou por rebentar com esse target em apenas 2 dias! Os 909 - 61.8% de Fibonacci - é que estão a dar mais trabalho ao ouro visto ainda não terem sido quebrados em fecho no diário (fechou ontem exactamente aí).

Resumindo, o Ouro até poderá fechar acima dos 909 e tentar um ataque aos 940 - 76.4% de Fibonacci - mas este dificilmente será bem sucedido pois a tendência de médio prazo é agora de queda. Eis o gráfico semanal:




Acerca da descida dos preços por parte das gasolineiras ontem, Dax Speculator tem de comentar! Só mesmo num país onde não existe concorrência a sério é que as gasolineiras se dão ao luxo de esperar tanto tempo para descer os preços que acabam por fazê-lo precisamente no dia em que o petroleo mais subiu nos últimos tempos! Escusado será dizer que há excepções à regra e que a Esso continua a ser a melhor alternativa visto que continua a vender a 98 octanas a um preço inferior ao da 95 octanas nas estações de serviço do cartel (ver "A APETRO E A IGNORANCIA".

Não é pois de estranhar que a Esso seja uma marca da Exxon Mobil Corp (XOM.N) que é, nada mais nada menos, que a melhor empresa do sector em termos de fundamentais de todas as que analisei até agora.

Finalmente, durante esta e possivelmente a próxima semana, publicarei mais 2 análises técnicas: à Exxon Mobil e também outra de acompanhamento à Vale do Rio Doce.

Uma boa semana,

Dax Speculator

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

GRANDES CRISES, GRANDES REMEDIOS

Vivemos sem dúvida tempos nos mercados financeiros que serão recordados por muitos anos. As últimas medidas anunciadas pelo governo Federal dos Estados Unidos da América para varrer de vez com os problemas do sistema poderão ser uma almofada de ar fresco para os mercados nos próximos meses.

Para implementar estas medidas, que deverão representar o maior bail out (intervenção) desde 1929 (não fosse esta a pior crise desde essa altura: ver em "A PIOR CRISE DESDE 1929?"), o governo dos EUA deverá criar uma nova entidade com "activos" de várias centenas de milhões de dólares.

Este pacote de "soluções" poderá ter impactos de curto ou até médio prazo nas bolsas mas antes disso, melhorei a explicação dos ciclos económicos do artigo "A PIOR CRISE DESDE 1929?". Eis então a explicação dos diversos ciclos:


"Os ciclos de Elliot (e os económicos) dividem-se em várias categorias ou tipos:

  1. O Grande Super Ciclo;
  2. O Super Ciclo;
  3. O Ciclo.
  4. O Ciclo Primário
  5. Os outros ciclos de menores dimensões...
O Grande Super Ciclo em que nos encontramos actualmente iniciou-se na Grande Depressão, mais precisamente em 1932 e dura até hoje, devendo prolongar-se ainda durante mais algumas dezenas de anos.

Cada Grande Super Ciclo é constituído por 3 Super Ciclos, representando cada um deles 1 Super Ciclo económico. Por sua vez, cada um destes Super Ciclos são constituídos por 3 Ciclos simples, que são os ciclos económicos que conhecemos.

É aqui que entre a Teoria de Ralph Nelson Elliot: cada um destes Ciclos, Super ou simples, é formado por 5 ondas, 3 impulsivas e 2 correctivas. A excepção à regra é o último dos Super Ciclos, que é constituído pelas 3 impulsivas e 2 correctivas dos seus Ciclos simples mas também pela onda correctiva do Grande Super Ciclo, que acaba normalmente em
crashes similares ao de 1929."

Para saber mais sobre a Teorias de Elliot, sugiro o artigo da Wikipedia aqui.

Finalmente, em termos de mercados, estas medidas e o aproximar de antigas resistências e agora fortes suportes, deverão resultar num grande short covering nas próximas semanas, talvez mesmo até ao fim do ano. Estes suportes são os anteriores máximos de 2004, ou seja, 1150 no S&P 500 e 2950 no Euro Stoxx 50. O DAX, como sempre, não chega sequer perto mas sempre atingiu o nível dos 5886 anunciado em "RESSALTO?". Eis o gráfico do grande suporte no S&P 500:




Mas não se iludam muito pois, à semelhança do que aconteceu em 1929, estas "soluções" terão apenas um efeito de médio prazo nos mercados financeiros,

Dax Speculator

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

CRONICAS DE UM BEAR MARKET

Tem se falado muito na imprensa financeira que estes últimos bailouts (limpezas) por parte da FED assinalam o fim da crise e, consequentemente, deste bear market.

A FED - que até já aceita equity (capital próprio) como colateral - "emprestou" por 2 anos 85 mil milhões de dólares ao AIG em troca de 80% do seu capital, não fossem as coisas dar para o torto. Entretanto, o regulador Americano procura um comprador para o Washington Mutual Inc que também anda com o seu balanço pelas ruas da amargura...

Quem pensa que a crise acabará quando acabarem as limpezas, esquece-se de várias condicionantes que irão continuar a alimentar a actual crise e o bear market no qual esta se insere. São estas condicionantes as seguintes:

  • Retirada da oferta de crédito por parte dos bancos falidos e dos que têm balanços em falência técnica e estão, por isso, em panic mode;
  • Os outros bancos - os que têm balanços mais confortáveis - ainda estão a emprestar mas apertaram muito as condições de acesso aos créditos;
  • Os 2 pontos anteriores traduzem-se numa drástica diminuição de oferta de liquidez e será um forte travão ao crescimento nos próximos trimestres por via da diminuição do consumo e do investimento privados;
  • Com um crescimento limitado ou até negativo, os resultados das empresas continuarão sob forte pressão e serão obrigadas a vender activos não estratégicos para melhorarem o balanço e/ou os seus resultados;
  • Essa espiral de decepções nos resultados das cotadas e vendas de activos não estratégicos por parte destas irá continuar a alimentar este bear market.
Digo continuar a alimentar, porque o bear market começou em 2000, 1999 ou mesmo 1998 (Coca-Cola) para os(as) líderes nos seus sectores. Estas empresas são, entre outras, a Cisco, a General Electric, a Coca-Cola, a Pfizer e o JP Morgan. Serão os sobreviventes deste grupo de empresas líderes os primeiros a declarar o fim do bear market.

Desde o final da década de 90 (1998 a 2000) até hoje estas empresa nunca sairam do bear market como se pode ver pelos seus gráficos (cortesia da BigCharts), não deflacionados, desde 1982 (excepto a Cisco que é desde 1991) até aos dias de hoje:








No curto e médio prazo, acredito num ressalto negociável para os próximos meses se não ocorrer mais nenhuma desgraça até ao fim do ano...

Uma bom resto de semana,

Dax Speculator