quarta-feira, 17 de setembro de 2008

CRONICAS DE UM BEAR MARKET

Tem se falado muito na imprensa financeira que estes últimos bailouts (limpezas) por parte da FED assinalam o fim da crise e, consequentemente, deste bear market.

A FED - que até já aceita equity (capital próprio) como colateral - "emprestou" por 2 anos 85 mil milhões de dólares ao AIG em troca de 80% do seu capital, não fossem as coisas dar para o torto. Entretanto, o regulador Americano procura um comprador para o Washington Mutual Inc que também anda com o seu balanço pelas ruas da amargura...

Quem pensa que a crise acabará quando acabarem as limpezas, esquece-se de várias condicionantes que irão continuar a alimentar a actual crise e o bear market no qual esta se insere. São estas condicionantes as seguintes:

  • Retirada da oferta de crédito por parte dos bancos falidos e dos que têm balanços em falência técnica e estão, por isso, em panic mode;
  • Os outros bancos - os que têm balanços mais confortáveis - ainda estão a emprestar mas apertaram muito as condições de acesso aos créditos;
  • Os 2 pontos anteriores traduzem-se numa drástica diminuição de oferta de liquidez e será um forte travão ao crescimento nos próximos trimestres por via da diminuição do consumo e do investimento privados;
  • Com um crescimento limitado ou até negativo, os resultados das empresas continuarão sob forte pressão e serão obrigadas a vender activos não estratégicos para melhorarem o balanço e/ou os seus resultados;
  • Essa espiral de decepções nos resultados das cotadas e vendas de activos não estratégicos por parte destas irá continuar a alimentar este bear market.
Digo continuar a alimentar, porque o bear market começou em 2000, 1999 ou mesmo 1998 (Coca-Cola) para os(as) líderes nos seus sectores. Estas empresas são, entre outras, a Cisco, a General Electric, a Coca-Cola, a Pfizer e o JP Morgan. Serão os sobreviventes deste grupo de empresas líderes os primeiros a declarar o fim do bear market.

Desde o final da década de 90 (1998 a 2000) até hoje estas empresa nunca sairam do bear market como se pode ver pelos seus gráficos (cortesia da BigCharts), não deflacionados, desde 1982 (excepto a Cisco que é desde 1991) até aos dias de hoje:








No curto e médio prazo, acredito num ressalto negociável para os próximos meses se não ocorrer mais nenhuma desgraça até ao fim do ano...

Uma bom resto de semana,

Dax Speculator