terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Soros: a Carroça do Euro à Frente dos Bois

O reputado especulador George Soros disse esta semana, num artigo de opinião publicado no Financial Times, que a criação do Euro apenas com um Banco Central e sem um Tesouro foi pôr a carroça à frente dos bois.

Soros acrenscenta que o mercado de CDS (Credit Default Swaps) agrava a situação do governo Grego pois estar longo em CDS's e, assim, especular num incumprimento por parte dos Helénicos é menos arriscado do que vender acções a descoberto: se os especuladores estiverem errados, o risco nos CDS vai diminuindo enquanto que nas acções a descoberto o risco aumenta. George Soros tem toda a razão pois: 
  1. Se comprarmos 1 milhão de Euros de CDS e depois os Gregos conseguirem resolverem o seu problema e cumprir com as suas obrigações, a cotação dos CDS irá certemente corrigir bastante. Suponhamos que, numa 1ª fase, os CDS corrigissem 50%, a nossa exposição ao risco baixaria para 500 mil Euros;
  2. Se vendermos 1 milhão de Euros de acções, por exemplo, de um banco Grego e depois os Gregos conseguirem resolverem o seu problema e cumprir com as suas obrigações, a cotação do banco Grego irá certemente subir bastante. Suponhamos que, numa 1ª fase, a cotação das acções subiria 50%, a nossa exposição ao risco aumentaria para 1 milhão e 500 mil Euros.
Ainda relativamente ao caso Grego, Soros afirma que a solução mais eficiente seria emitir "euro obrigações" conjuntamente garantidas pela União Europeia - desde que o estado Grego cumprisse a sua parte a reduzir efectivamente o seu défice - para refinanciar 75% da dívida que está prestes a vencer. Mas essa solução parece improvável pois a Alemanha não parece disposta a abrir os cordões à bolsa. Por isso, uma outra solução de carácter temporário terá de ser encontrada...

Uma solução de carácter temporário deverá ser suficiente para a Grécia mas resta saber o que fazer com a Espanha, Itália, Irlanda e Portugal. Estes 4 países, em conjunto, são demasiado grandes para serem ajudados desta forma temporária e, por isso, mesmo que a Grécia não entre em incumprimento, o futuro do Euro ainda é questionável...

Assim, as medidas a implementar são claras: acompanhamento mais intrusivo e arranjos institucionais para assistência condicional. Um mercado de "euro obrigações" também seria desejável. A questão está em saber se haverá vontade e capacidade política para tal...

Votos de uma excelente semana,

Dax Speculator