quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

S&P 500 SOBREVENDIDO

Na sequência da minha última mensagem (ver "RALLY A VISTA?"), queria fazer uma chamada de atenção para a situação extremamente sobrevendida do índice das 500 maiores empresas dos EUA, o S&P 500, principalmente no gráfico mensal.

O RSI mensal está a tentar furar os 20, o que é inédito em mais de 20 anos: a última vez que esta situação se verificou foi em 1974, "curiosamente" em pleno bear market:





Como se pode ver no gráfico e em termos de comparação, o crash de 1987 apenas conseguiu levar o RSI mensal ligeiramente abaixo dos 50. Assim sendo, posições curtas aqui nesta zona sairão provavelmente perdedoras no médio prazo e mais ainda no longo prazo.

Uma boa semana,

Dax Speculator

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

RALLY A VISTA?

Hoje irei partilhar 2 gráficos que me parecem no mínimo interessantes como indicadores avançados para o médio e longo prazo.

O 1º gráfico é o rácio dado pelo S&P 500 (índice das 500 maiores capitalizações Americanas) divido pelo preço do Ouro ($GOLD). Como se pode observar no gráfico abaixo, enquanto o S&P 500 fez novo máximo relativo em 2007, o rácio S&P 500/Ouro não:



No rácio Libor (London Interbank Offered Rate - 1 month)/S&P 500 a situação é semelhante. Como se pode ver, o S&P 500 fez novo máximo relativo em 2007 mas o rácio Libor/S&P 500 não. Mas há mais, o rácio tem vindo a subir nas últimas semanas:




Um bom fim-de-semana,

Dax Speculator

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

AS CRISES EVITAM-SE

Hoje irei procurar responder à pergunta que milhares de CEO's, políticos, economistas, analistas, jornalistas, corretores, gestores de fundos... querem ver respondida: como acabar com esta grave crise?

Haverá certamente muitos interessados em licitar acima da fasquia de 1 milhão de euros para obterem uma solução para esta crise mas, infelizmente, não existe qualquer tipo de solução. Este tipo de crise não se resolve, evita-se porque, depois de iniciada, é como uma avalanche de neve. Os governantes, reguladores e presidentes de bancos centrais um pouco por todo o mundo ainda não devem ter percebido bem isso. Dá-me vontade de rir quando estes dizem que vão conseguir relançar a economia ("jump start the economy") ou arranjar a economia ("we are going to fix it"), como se de um simples motor automóvel se tratasse...

E porque não se consegue resolver este tipo de crises? Eis os principais motivos:
  1. As bolhas imobiliária, do crédito e dos mercados accionistas irão - tal como aconteceu no passado - sobre corrigir, ou seja, indo muito abaixo dos valores médios históricos;
  2. Existe sobre capacidade à escala global em todos os seguintes sectores: produtivo, tecnológico, telecomunicações e retalho e até mesmo nalgumas áreas do sector de serviços;
  3. Este tipo de crise é estrutural, avassaladora e "alimenta-se" a ela própria da seguinte forma: menos crédito e menores patrimónios mobiliários e imobiliários produzem menos consumo, o que origina menos investimento e mais desemprego. Menos investimento e mais desemprego levam a menos crédito e consumo e por aí em diante...;
  4. O sector público será actualmente responsável, no máximo, por uns 35% do PIB global, representando o sector privado, no mínimo, os restantes 65%;
Assim, o máximo que os governos irão conseguir será uma desaceleração dos efeitos negativos que esta crise está a ter na economia, no investimento e nos empregos. Conseguirão um efeito de para-queda, nada mais. Contudo, é bom que os governos estejam a fazer algo para combater a actual situação mas não se deve ter falsas esperanças: a crise resolver-se-á a ela própria através do famoso processo económico de "destruição criativa"...

Um bom final de semana,

Das Speculator

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

CUNHA DESCENDENTE NA PORTUCEL

A Portucel-Empresa Produtora de Pasta e Papel, SA (Portucel) é uma empresa baseada em Portugal, especializada na produção e venda de pasta de celulose, papel e derivados. Além disso, compra da madeira, produtos florestais e agrícolas, bem como a madeira de corte. O seu negócio está focado na pasta de papel de eucalipto celuloso "kraft" e no papel fino à base de eucalipto não revestido. A empresa possui três centros de produção localizados em Setúbal, Figueira da Foz e Cacia. A Portucel agrega o Grupo Portucel Soporcel e é uma subsidiária da Semapa - Sociedade de Investimento e Gestão SGPS, SA. A Companhia está sediada em Setúbal, Portugal.

Os fundamentais da empresa são medianos e existem lacunas do lado da divulgação de informação financeira por parte da empresa. Por exemplo, até ao momento, não consegui saber qual a dívida de longo prazo da empresa. Para além disso, também não existe uma política de dividendos consistente: decide-se na reunião geral de accionistas qual será a taxa de remuneração para o accionista, o que não é muito apelativo...

Em termos técnicos, no gráfico semanal temos um canal descendente bem definido que tem forçado a evolução das cotações da Portucel. Enquanto este canal não for quebrado, a situação continuará bearish para a Portucel:




No diário temos um padrão bullish - uma cunha ascendente - que poderá projectar a Portucel para o topo do canal acima referido, ou seja, a zona dos 1.8€:



Bons negócios,

Dax Speculator

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

NOTAVEIS DA TRETA

Um investidor notável - ver Warren Buffett, Jim Rogers ou George Soros - não se endivida para comprar acções caras e, ainda por cima, de um banco que não cria valor accionista algum.

Este meu comentário vem a proposito do artigo de opinião de Pedro Santos Guerreiro (ver aqui), autor que costumo ler frequentemente por gostar das suas opiniões. Assim, esta mensagem é uma crítica (construtiva) ao seu artigo de opinião.

Se os indivíduos citados no artigo fossem notáveis investidores, teriam percebido por antecipação que vinha aí, pelo menos, uma forte tempestade e que era altura de reduzir e não aumentar os seus investimentos especulativos.

Para além disso, desenganem-se aqueles que falam do BBVA como potencial comprador do BCP: não me parece que o BCP seja o tipo de instituição que o BBVA queira comprar. O BBVA preferirá certamente instituições mais pequenas, nas quais possa incutir uma política de criação de valor - e não destruição, tal como acontece no BCP. Mas há mais: o BBVA também enfrenta o mesmo cenário macro-económico complexo e, por isso, aquisições não deverão serão certamente as prioridades lá para os lados de Bilbao...

Quanto à CGD (estado), esta poderá ter de avançar se a situação do BCP e restantes instituições arrastadas continuar a deteriorar-se, o que irá muito provavelmente acontecer. Será que iremos ter em Portugal um "Aggregator Bank"? Talvez uma CGAD (Caixa Geral Agregadora de Depósitos)...

Votos de uma boa semana,

Dax Speculator

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

NOURIEL ROUBINI VS BCE

Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova Iorque e um dos primeiros economistas a prever a actual crise, está em total sintonia com Dax Speculator (ver "O PROBLEMA DO BCE") e considera, também ele, que Jean-Claude Trichet está errado na sua forma de fazer política económica.

Eis alguns excertos da entrevista recentemente concedida à Bloomberg:

Entrevistadora: O BCE irá reunir-se na próxima 5ª feira. Estarão eles errados em não estarem a cortar as taxas de juro para os zero?

Roubini: Sim, estão errados. Estão a fazer muito pouco e muito tarde. Dadas as condições económicas da Europa, numa severa recessão, deveriam estar onde os EUA estão ou o Japão está: taxas próximas de zero. E isso está a agravar a recessão na zona Euro...

Entrevistadora: Eles dizem que o risco de deflação não é tão grave como nos EUA, concorda com isso?

Roubini: Não. A minha previsão é de que os 7 países mais importantes da zona Euro terão, este ano, inflação negativa e isso tenderá a ser permanente, excepto se houver estímulos económico/fiscais suficientes para contrariar essa situação.

Quem quiser ver a entrevista completa pode fazê-lo através do seguinte link:

http://www.bloomberg.com/avp/avp.htm?clipSRC=mms://media2.bloomberg.com/cache/vkRY2xC0F1VU.asf

Bons negócios,

Dax Speculator

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A BUFFETTOLOGIA (PARTE III)

Warren Buffett cedeu recentemente uma entrevista à NBR (Nightly Business Report) que me mereceu a maior das atenções.

Deixem-me ser claro: Warren Buffett mereceu, merece e merecerá sempre a minha atenção mas, dependendo provavelmente do(a) entrevistador(a), há entrevistas mais interessantes do que outras...

Eis parte da entrevista que considero mais reveladora da filosofia de investimento de Warren Buffett - a Buffettologia - com alguma ênfase minha (quem quiser ler a entrevista na íntegra e em Inglês pode fazê-lo aqui):

Susie Gharib (a entrevistadora): Uma coisa que os Americanos não estão a comprar ultimamente são acções. Deveriam estar a comprar?

Warren Buffett: Bem, tal como muitas pessoas tanto compram como vendem acções todos os dias, também há pessoas que compram acções todos os dias e nós estamos a comprando. Se as pessoas estão a comprar um negócio que compreendam a um preço razoável, devem continuar a comprar. Isso é verdade a qualquer momento. Há muito mais coisas a preços razoáveis agora do que há dois anos atrás. Então, agora é claramente um momento melhor para comprar acções do que há 2 anos atrás. É melhor do que amanhã? Não faço ideia.

SG: Esta crise financeira tem sido extraordinária, de muitas formas; como mudou sua abordagem para investir?

WB: não mudou em nada. Aprendi a investir em 1949 ou 50 com um livro de Benjamin Graham e, desde então, nada mudou.

SG: Tantas pessoas me disseram, no ano passado, que esta é uma crise sem precedentes... O impensável aconteceu. E não afectou a sua filosofia de investimento?

WB: Não. Se eu fosse comprar uma quinta, não mudaria as minhas ideias sobre como comprar uma quinta, um apartamento ou um negócio e é isso que uma acção representa. Uma acção é parte de um negócio e, por isso, se eu quisesse comprar acções de uma empresa privada aqui em Omaha, analisaria esse negócio da mesma forma que o teria feita há 2 anos atrás e da mesma maneira que irei fazê-lo dentro de 2 anos. Eu vejo quanto recebo pelo meu dinheiro, quão boa é a gestão, como é a posição competitiva da empresa comparada com as outras, quão duradoura. Enfim, apenas questões fundamentais. O mercado de acções é... enfim, esqueça isso. Qualquer negócio que compre, serei feliz proprietário mesmo que, amanhã, a bolsa feche durante os próximos 5 anos. Por outras palavras, estou a comprar um negócio. Eu não estou a comprar uma acção. Estou a comprar um pedaço de um negócio, tal como compraria uma fazenda. E isso não muda. Todas as manchetes dos jornais do mundo não irão alterar isso. Mas isso não significa que você poderá comprar essas acções mais baratas amanhã. Pode acontecer. Mas a verdadeira questão é se eu valorizei o meu dinheiro o suficiente quando as comprei?


Uma boa semana,

Dax Speculator