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terça-feira, 27 de agosto de 2013

As auto-estradas fantasma em Portugal

O Financial Times (FT) publicou recentemente uma reportagem sobre as auto-estradas Portuguesas. Segundo o FT, o tráfego rodoviário Português terá caido 50% em 2012 e uns impressionantes 68% no 1 º trimestre de 2013!

Isso não só expõe o aprofundamento da actual depressão em Portugal mas também as massivas e sucessivas mis-alocações de capital por via de uma excessivo foco nas auto-estradas em detrimento das ferrovias.

Ainda segundo o FT, Portugal tem 4 vezes mais estradas per capita do que a Grã-Bretanha e 60% ​​mais do que a Alemanha e há pelo menos 9 auto-estradas que estão abaixo dos 10.000 a 12.000 veículos por dia mínimos exigidos para que o investimento seja rentável.

Parece que a doutrina Keynesiana e os seus discípulos tugas fizeram mossa da grossa neste cantinho à beira mar plantado.

Eis o vídeo:




Ver também:

Driving On Portugal's Ghost Roads: Traffic Crashes By 68% In First Quarter
Sobretaxa para as PPP

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ben Bernanke: tudo isto é uma cleptocracia

Questionado sobre o efeito riqueza por um congressista, Ben Bernanke parte a loiça toda:

"O efeito riqueza. Ah, certo. Quer saber sobre o efeito riqueza. Bem, vou ser sincero consigo. Tudo isto é uma cleptocracia: o sistema financeiro, o sistema político é uma grande cleptocracia. É esse o real efeito riqueza".

Parecendo encontrar o equilíbrio, Bernanke continuou com uma paixão que surpreendeu o público. "Sabe, eu disse a mim mesmo para apenas repetir a linha do partido por mais um ano para que eu pudesse sair do cargo calmamente e deixar Yellen ou outro dos bajuladores assumir, mas eu percebi que não tenho mais estômago para estas mentiras, o ofuscamento e a pilhagem".
 
"Sim, eu tenho uma pequena posição alinhada no Goldman Sachs depois da minha aposentadoria. Sabe, dar alguns discursos e meter ao bolso um par de milhões de dólares, mas estou cansado todo esse dinheiro sujo". 


Inclinando-se para o microfone, Bernanke perguntou: "Você não está cansada da sujidade de todo o dinheiro que você ganha? Você não está cansada das mentiras que estamos vivendo?".

"Eu devo ser um especialista em economia. Então, eu vou te dizer como o sistema funciona em termos muito simples. Isto,
na verdade, não é diferente do Império Romano. O truque é chegar perto da sede do poder imperial, que no nosso país é o governo federal. Depois, suborna os influentes - há sempre muitos - para que eles lhe concedam privilégios especiais, subsídios, contratos ou um monopólio. Finalmente, você retira uma grande fortuna desta proximidade do poder político/financeiro e então você compra imobiliário para arrendar - sabe, milhares de casas de aluguer, terra, edifícios em Manhattan, obrigações municipais livres de impostos e assim por diante..."

"Foi assim que nós acabamos com os cartéis a mandar em tudo: defesa nacional, saúde, ensino superior e sector financeiro. Você - a nobreza eleita - permitem esta vasta
operação de pilhagem em nome da democracia e do capitalismo Mas todos sabemos que estas são fachadas. A democracia é uma fraude, a nível nacional, mas somos todos muito covardes para confessá-lo"
 
Depois de beber um gole de água, Bernanke diz, "Deixe-me contar um pequeno segredo sobre todas as nossas políticas baseadas em princípios keynesianos. Paul Krugman e eu colocamos máscaras de médicos curandeiros e dançamos ao redor de uma fogueira acenando galinhas mortas e entoando cantigas sem nexo. Isso é o keynesianismo . "


"Isto está irremediavelmente cheio de falhas e é um desastre, por uma razão simples: os keynesianos acham que todo o investimento é produtivo quando, na verdade, a maioria do investimento é improdutivo e acaba em perdas. Mas não é permitido reconhecer
essas perdas porque as pessoas próximas do poder iriam perder"
 

"Como resultado, tudo que fazemos e dizemos aqui em Washington e em Nova York, é uma paródia de uma paródia de uma farsa, um desfile interminável de mentiras e meias-verdades. O Presidente Bush, no seu modo caseiro próprio, disse a verdade quando disse: «Este otário está indo para baixo» Ele se referia à cleptocracia, a fraude todo que vivemos para enriquecer-nos e manter o poder. Já tive o bastante, senhoras e senhores, e esta é a minha última aparição pública como um funcionário da Reserva Federal

PS: dia das mentiras ;-)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Memórias curtas

Liam Halligan, do Telegraph, procura no seu último artigo refrescar as ideias àqueles que têm memória curta tais como políticos, governadores de bancos centrais, entre outros. Liam conseguiu encontrar um discurso, datado de 1976 e da autoria de James Callaghan, que deveria na minha opinião ser uma referência da história económica.

Mas esse discurso é ainda mais admirável vindo de quem veio e mesmo tendo sido proferido depois do Reino Unido ser resgatado pelo FMI quando James Callaghan era na altura primeiro ministro e líder do Partido Trabalhista Britânico (mais ou menos o nosso PS). Foi de certa forma um assumir dos erros. Actualmente os nossos líderes políticos - bicéfalos ou não - nunca assumem quaisquer erros pois humildade é coisa que desconhecem. Já em inteligência, rigor e sentido de estado não chegam sequer aos calcanhares dos políticos daquela geração de 1970/80. Que o diga José Trocas-te que foi primeiro ministro do nosso Tugaspark Portugal e que, na altura, certamente não tinha conhecimento de tão rico e refrescante pensamento vindo da parte de um antigo colega de trincheiras.

Enfim, eis os destaques do discurso, traduzido para Português:

"Nós costumávamos pensar que podíamos sair da recessão gastando mais e aumentar o emprego aumentando os gastos do governo."

"Digo-vos, com toda a franqueza"
, continuou ele, "que essa opção já não existe. E na medida em que alguma vez existiu, só funcionou em cada ocasião...  injectando uma dose maior de inflação na economia, seguido por um nível mais elevado de desemprego como próximo passo..."

Ver também:

A message from the 1970s on state spending
Leader's speech, Blackpool 1976

Cumprimentos deskeynesiados,

DS

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A crise da Dívida nos EUA

Ou porque a Europa está certa e Obama está errado

Eis o comentário, traduzido para Português, de Michael Sauga, editor da revista Alemã "Der Spiegel". O que estiver entre chavetas ([]) são comentários meus:

"O presidente dos EUA, Barack Obama, sugeriu recentemente que a Europa deve assumir mais dívida para estimular a economia. Em primeiro lugar, foi essa confiança no dinheiro barato que nos levou à crise actual - tanto na Europa como nos EUA. O problema da América não é ter pouco dinheiro. É a falta de produtos competitivos.

"O Jarro Quebrado" é uma das peças mais frequentemente encenadas nos teatros Alemães. Com o juiz Adão, de uma pequena localidade, que julga um crime que ele próprio cometeu, Heinrich Von Kleist criou uma das figuras clássicas de comédia da literatura mundial.

Actualmente, Barack Obama parece estar a retratar uma versão moderna do juiz de Kleist. Ele é cada vez mais crítico em relação aos Europeus por supostamente terem exacerbado a crise económica em curso com a sua prudência. O seu público, no entanto, parece sentir que a situação pela qual Obama lamenta teve origem no seu próprio país.

Ela decorre de uma doutrina que dominou o pensamento económico nas duas últimas décadas e é composta por dois elementos: turbo-capitalismo, cujo único princípio é que qualquer regulação dos mercados financeiros inibe o crescimento, e o seu mais obsequioso, mas não menos perigoso irmão, turbo-keynesianismo.

Os economistas americanos, presidentes de bancos centrais e formuladores de política fiscal têm reinterpretado a ideia inteligente do economista britânico John Maynard Keynes de que o consumo público, ou seja, o aumento da presença do estado na economia é a melhor maneira de contrariar uma recessão económica grave e transformaram-na numa receita permanente. Na versão deles da teoria Keynesiana, uma diminuição do crescimento ou um declínio dos preços das acções solicita os bancos centrais e os governos, respectivamente, a baixar imediatamente as taxas de juros e a lançaram programas de estímulo económico. Os economistas dos EUA chamam a isso "dar um pontapé inicial" na economia [como se de futebol se tratasse].

Lançando as bases para o próximo "crash"

O único problema [único mas suficientemente grande para estragar a "estratégia" destes "génios"] é que este método de encorajar o crescimento não tem estimulado a economia Norte-Americana nos últimos anos mas, pelo contrário, colocou-a em rota de colisão. Desde a crise Asiática, passando pela bolha tecnológica e acabando na bolha imobiliária e do "subprime", os programas de estímulo económico encorajados pelos formuladores de políticas monetária e fiscal têm sido regularmente as bases para o próximo acidente em vez de encorajar o crescimento sustentável. Por exemplo, na última década, o volume de empréstimos nos Estados Unidos cresceu cinco vezes mais do que a economia real.

O dinheiro barato foi o adubo para os excessos do sector financeiro dos EUA. As taxas de juros baixas seduziram os correctores de hipotecas a convencer mesmo os sem-abrigo a pedir créditos hipotecários. E as mesmas taxas tornaram mais fácil aos bancos de investimento e "hedge funds", usando estruturas de empréstimos cada vez mais arriscadas, transformar os outrora vagarosos sectores seguradores e obrigaccionistas em autênticos casinos.

Agora a bolha estourou. No entanto, isso não fez com que o governo dos EUA concluísse que as suas prescrições poderão ter sido erradas. Pelo contrário, agora querem aumentar a dose. Obama tem planos para continuar o muito mal sucedido programa de estímulo económico de 2008 através de um novo programa para este ano. Enquanto isso, o presidente da Reserva Federal Ben Bernanke diz que pretende inundar a economia com liquidez barata - durante anos, se necessário.

O verdadeiro problema, porém, é um diferente. Na economia Norte-Americana não falta dinheiro. Em vez disso, faltam produtos que possam competir no mercado global. O país tem um profundo défice comercial mas a administração Obama está a pedir dinheiro emprestado quase ao mesmo ritmo do que a falida Grécia.

Um fim rápido

Nem mesmo o sector financeiro, com a sua afeição por dinheiro barato, acredita que este é o caminho para os Estados Unidos saírem da crise. Quando a Fed anunciou recentemente a nova versão da sua política de taxas de juro baixas, que ficou conhecida como "Twist", os mercados accionistas resvalaram em vez do impulso esperado.

É ainda mais desconcertante que Obama esteja agora a recomendar aos Europeus que imitem a sua estratégia falhada. Para salvar o Euro, o presidente propôs que a Europa assuma mais dívida para aumentar os seus fundos de resgate e estimular as suas economias. Como um médico apanhado a prescrever esteróides, Obama não escolheu terminar as suas actividades. Pelo contrário, ele tenta garantir que o máximo número de pessoas possível tenham acesso às suas drogas.

O facto de que os Europeus não estão dispostos a cumprir com a estranha lógica de Obama dá motivo para esperança. Não faz sentido acumular mais e mais dívida em cima de pilhas de dívida já instáveis. O mundo não tem pouca dívida, tem muita.

Obama deve rever o seu conselho, ou ele poderá acabar como o juiz da pequena aldeia na comédia de Kleist. Quando sua fraude foi descoberta, ele foi forçado a fugir e os seus dias como juiz chegaram rapidamente ao fim."

Quem quiser ler o artigo na versão Inglesa pode fazê-lo aqui. Quem quiser a versão em Alemão, pode fazê-lo aqui (com assinatura).


Votos de um excelente fim-de-semana,

DS

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dados Macro

Esta semana serão conhecidos 2 dados macro-económicos Americanos importantes: a confiança do consumidor, hoje às 15h00, e as encomendas de bens duradouros, amanhã às 13h30.

No que diz respeito ao índice de confiança do consumidor, é um dos indicadores que sustentam o meu pessimismo de longo prazo pois tem vindo a cair desde o fim da bolha tecnológica. No médio prazo, já recuperou 50% da queda desde 2007 mas continua (e deverá continuar) bastante fraco pois as actuais políticas em vigor deverão apenas conseguir prolongar a dor... Para hoje é esperado um valor abaixo do anterior (55 vs 58.5):


Quanto às encomendas de bens duradouros, aplica-se o mesmo raciocínio que no índice de confiança do consumidor pois, 2 anos depois do "fim da recessão", este ainda continua 50% abaixo dos máximos de 2007. Para amanhã e relativamente ao mês de Junho espera-se um aumento de 0.5%:



Isto foi tudo o que a teoria económica que tem sido praticada nos últimos anos pelos estados e bancos centrais conseguiu. O seu mentor, John Maynard Keynes, era da opinião de que para contrariar as recessões económicas, o estado podia substituir-se ao sector privado. No entanto, passada mais de um década a praticar o "Keynesianismo", eis o estado das finanças do colosso Americano (cortesia do MoneyGame):



Ver também:

Neoliberalismo
Escola Keynesiana

Votos de uma excelente semana,

DS