segunda-feira, 13 de abril de 2015

Rácio da dívida total vs PIB

Na minha última mensagem partilhei um estudo do McKinsey Global Institute (MGI) no qual se podia ver, entre outras coisas, a evolução e o balanço da dívida total relativamente ao PIB no final no 2º trimestre de 2014 para os países desenvolidos e a China e no final de 2013 para os outros países.

Considero este estudo muito pertinente pois ele foca-se na dívida total destes países, ou seja, a dívida de particulares, de empresas não financeiras e do estado. É uma análise muito mais abrangente do que aqueles que se focavam apenas na dívida governamental das nações. Eis novamente a tabela onde Portugal aparece em 4º lugar:



Tal como disse na minha mensagem anterior, os países que saltam à vista no quadro acima são o Japão e Portugal. Como refere o estudo, a Irlanda e Singapura são por questões fiscais a sede de grandes empresas multinacionais que operam em todo o mundo mas que se financiam apenas nesses países. Para além disso, Singapura é o 4º maior centro financeiro do mundo.

Comecemos então pelo Japão. Neste estudo podemos ver, por exemplo, porque o Japão se tem financiado tão facilmente: particulares e empresas não financeiras têm facilitado essa tarefa pois ainda mantêm um balanço saudável. Aqui o maior problema é o próprio estado que tem um rácio de dívida por PIB de 234%! Este é actualmente o melhor exemplo de como funciona a estratégia do faz de conta que alguns querem seguir. O país do Sol Nascente tem adoptado esta estratégia desde 1990 e os resultados estão à vista: há 25 anos que o Japão luta para sair da crise, que os seus bancos renovam dívidas de cobrança duvidosa de muitas empresas e que o estado tenta estimular a economia recorrendo cada vez mais à dívida...!

Já o nosso país à beira mar plantado, que não é sede de coisa alguma, que justificação tem para este nível absurdo de dívida total? O rácio da dívida pública vs PIB é de 148% enquanto que o rácio da dívida corporativa não-financeira é de 127% do PIB. Basicamente, tanto o estado como as empresas não-financeiras estão com níveis de dívida insustentável o que, se nada for feito para travar esta tendência, não deverá acabar bem...