quarta-feira, 20 de junho de 2012

Reacção da imprensa Alemã ao G-20

Os EUA são hipócritas quando dão palestras sobre a Europa (*).


As fotografias do encerramente da reunião do G-20 no México mostram os principais líderes mundiais a sorrir, demonstrando unidade. Mas os observadores Germânicos consideram que as fotos de família feliz tentam apenas desviar as atenções dos graves problemas que a economia mundial atravessa e toda a difamação que aconteceu durante a cimeira.

É mais outro jogo de "esperar para ver" para o Euro: os líderes mundiais esperam que os líderes do Euro - em particular a chanceler Alemã Angela Merkel - apresentem novas propostas para fortalecer a moeda comum. Embora haja muitos outros problemas económicos no mundo - incluindo a expansão sem fim à vista da dívida dos EUA e as barreiras comerciais que ainda têm de cair - os líderes do mundo industrializado e os principais países em desenvolvimento conseguiram concentrar-se quase exclusivamente à crise do Euro durante a reunião do G-20, no México.

Merkel esteve, mais uma vez, na berlinda na medida em que muitas nações a pressionaram no sentido de fazer mais pelo Euro num momento em que muitos contribuintes Alemães sentem que o seu país já fez demais.

Na quarta-feira, analistas e comentadores Alemães defenderam o país contra os críticos estrangeiros mas também argumentaram que pouco ou nenhum progresso foi atingido durante este G-20. Disseram também que este tipo de cimeiras não são favoráveis ​​ao debate político sério, algo que é extremamente necessário nos dias de hoje.

A centro-esquerda "Süddeutsche Zeitung" escreve:

"A crise do euro, que tem um grande potencial destructivo para a economia mundial, foi reduzida a um problema do tamanho de um soluço na declaração final da cimeira por uma razão simples: quando se trata de economia por si só, os Americanos, os Chineses, os Japoneses e os Brasileiros estão todos atolados nos seus próprios problemas. Isso cria uma situação em que um país é sempre o pecador e os outros só têm uma leve repreensão por seus actos."

"O G-20 é na verdade o grupo adequado para se falar abertamente sobre os principais problemas globais. Mas recentemente a cimeira tornou-se tão ritualizada que se parece menos com uma discussão séria e mais como uma sala de aula em que as crianças lêem os trabalhos de casa uns aos outros."

Já o diário Handelsblatt escreve:

"É um pouco hipócrita da parte dos Americanos e dos Britânicos, cujas montanhas de dívida chegaram a máximos nunca vistos, tentarem dar lições aos Europeus. Um número apenas é suficiente para revelar o quão má é essa táctica. Numa altura em que os défices orçamentais dos EUA e da Grã-Bretanha são cerca de 8 por cento, os membros da zona Euro quase que conseguiram trazer os seus déficits consolidados para a meta dos 3 por cento."

[O que os Alemães parecem não entender é que a táctica anglo-saxónica não é má de todo pois, até agora, tem funcionado muito bem: os EUA e a Grã-Bretanha têm pago taxas irrisórias para emitir montantes astronómicos de dívida enquanto que um número cada vez maior de países Europeus vêm a sua factura de juros subir dia a dia algo que, na minha opinião, é também fruto da ignorância da maior parte dos "investidores" em obrigações de taxa fixa...]

O "Frankfurter Allgemeine Zeitung", de centro-direita, escreve:

"Apesar de um monte de palavras dramáticas, os países do G-20 têm, por enquanto, adiado o resgate à economia global. Poucos dias antes da próxima cimeira Europeia, o grupo de países industrializados e nações em desenvolvimento têm de esperar impotentes para o que quer que seja que os Europeus irão trazer para cima da mesa para salvar o Euro."

"O G-20 só é forte enquanto houver vontade dos seus membros em trabalhar de forma cooperativa. Isso vale para os Estados Unidos, que têm resistido à pressão para resolver os seus problemas financeiros. E também vale para os Europeus que, no terceiro ano de sua crise de dívida, ainda não convenceram os mercados financeiros de que o Euro pode sobreviver no seu formato actual."

"As diferenças sobre o caminho para o crescimento - nos Estados Unidos é mais do lado da procura enquanto que na Europa é mais do lado da oferta - ressurgirão imediatamente se os Europeus, na visão dos Americanos, não apresentarem resultados rapidamente."


(*) - O que estiver entre chavetas são comentários meus.

DS